Política

Zelenskyy apresenta termos para plano de paz, sinalizando possível retirada do leste da Ucrânia

O líder ucraniano disse que a última versão do plano – uma atualização de uma proposta da administração Trump que tanto Kiev como a União Europeia tinham inicialmente rejeitado como “impossível” – mantém as garantias de segurança propostas pelos EUA, pela NATO e pelos parceiros europeus que são equivalentes às descritas no Artigo 5 do tratado da aliança transatlântica.

“Se a Rússia invadir a Ucrânia, além de uma resposta militar coordenada, todas as sanções globais contra a Rússia serão restauradas”, disse ele, acrescentando que as garantias também seriam consideradas inválidas se Kiev tomasse qualquer ação militar não provocada contra Moscovo. Zelenskyy observou que Washington retirou o texto de uma versão anterior do plano que propunha que os EUA recebessem uma compensação pelas garantias de segurança.

O plano propõe ainda que a Rússia adote legalmente uma estratégia de não agressão à Ucrânia e à Europa. O texto também aceita a eventual adesão de Kiev à União Europeia, reconhece o direito do país de exigir reparações à Rússia e apoia a criação de instrumentos de investimento específicos para financiar a reconstrução do país.

O texto revisto também apela à administração conjunta da central nuclear de Zaporizhzhia pelas autoridades ucranianas, russas e americanas. Kiev reluta em permitir que Moscovo administre o complexo, que tem sido palco de combates ferozes, mas está disposto a fazer parceria com a administração Trump na gestão de infraestruturas que Washington considera cruciais para futuras operações de mineração de minerais no país.

Zelenskyy disse que a cidade vizinha de Enerhodar, actualmente ocupada pela Rússia, seria candidata à desmilitarização se os EUA insistissem em designar zonas económicas dentro da Ucrânia. Mas, acrescentou, para que a medida fosse legal, teria de ser realizado um referendo para apoiar essa decisão.

O plano também apela à Ucrânia e à Rússia para que introduzam programas nos seus currículos educativos que promovam a tolerância às diferentes culturas. Além disso, espera-se que Kiev implemente regulamentos da UE para proteger as religiões e línguas minoritárias.