Guerra pelo União de Lamas: direção em exercício fala em “grito de revolta”

Guerra pelo União de Lamas: direção em exercício fala em "grito de revolta"

“Quando aqui chegamos não havia quem fiasse um prego ao Lamas”

▌Em Santa Maria de Lamas a troca de acusações sobe de tom por parte da direção em exercício
Cerca de 70 sócios entraram em rota de colisão com a direção do União de Lamas, revela-se a pior das instabilidades e uma época diretiva quente para os unionistas. 
 

Acusações, alusões a dinheiros, contratos privilegiados, pagamentos a jogadores, reuniões secretas e conluios, compõem um cenário rocambolesco de picardias que enche as redes sociais lamacenses — a direção do clube evitou explicações que afirmam desarmarem aquelas que consideram ser argumentações falsas, suscetíveis de beliscar a coletividade, mas em declarações ao jornal Correio da Feira, Fausto Sá, diretor-desportivo do clube, abriu a caixa de pandora. 
 
No seguimento das declarações, a direção em exercício, entendeu que era chegada a hora de “lançar o seu grito de revolta”, contra aquela que consideram ser uma tentativa imprudente de desvirtuar o trabalho de quem vestiu a camisola de um clube enxovalhado, fragilizado e descredibilizado — porque “ser sócio do lamas não é viver nas vitórias e visitar as instalações de 15 em 15 dias, é viver o dia a dia do clube e procurar entender as suas dificuldades sem atirar pedras”, diz a direção em exercício ao sublinhar que “é curioso que os candidatos à direção do União de Lamas só apareçam depois de o clube ter saldado as dívidas”.
 
Apesar das críticas, a direção em exercício considera que fez “um trabalho monstruoso de credibilização do clube, porque quando aqui chegamos não havia quem fiasse um prego ao Lamas. Tínhamos uma dívida que rondava os sete mil euros à EDP e cinco mil em gás — à AFA o Lamas devia cerca de 15 mil euros em inscrições e, nesse altura, para inscrever as equipas, fomos obrigados a deixar cheques pré-datados. Um trabalho árduo, que alguns sócios parecem ter esquecido”, dizem os dirigentes presentes ao enumerar as obras que realizaram, a par do que consideram ter sido uma “verdadeira batalha financeira” — “o salão nobre foi arranjado e dotado de cozinha; fizemos o segundo sintético e com uma luta jurídica de cerca de um ano recuperamos as bombas. Perguntamos, agora, onde estava a ajuda destes elementos quando o clube estava na miséria? Ninguém apareceu e, agora, que o Lamas não tem dívidas colocam em causa o trabalho de quem ajudou quando o clube mais precisava”. 
  
“40 sócios votaram sem que os estatutos o permitissem”
 
A 16 de maio de 2018 e pela primeira vez na história do clube estiveram a votos duas listas — ganhou a atual direção com três votos de diferença, mas “poderia ter sido por muitos mais”, diz um dos dirigentes ao explicar que “antes uns dias das eleições, para manter a tranquilidade do clube, permitimos a inscrição de 40 sócios, claramente afetos à lista adversária, que de acordo com os estatutos do clube não deveriam ter votado porque eram sócios do clube há menos de um ano”. Por isso, na realidade, “a atual direção venceu por uma diferença bem maior que aquela que foi anunciada”
 
Hostilidades começaram na época passada
 
Os ventos da discórdia vieram com os resultados da última época, mas os dirigentes em exercício acreditam que “os resultados que não apareceram serviram, apenas, como desculpa para incitar quezílias entre a direção e os sócios” e dão como exemplo o episódio que marcou o último jogo da equipa, frente ao Beira-Mar:

“Alguns sócios e a claque do Lamas tentaram bater no Fausto e no Manuel Santos. Não apresentamos queixa e evitamos que o incidente chegasse às páginas dos jornais, porque entendemos que era para bem do clube”. 

▌Assembleia de 4 de maio foi palco de insultos e acusações
“Atitude dos sócios fez Manuel Aleixo recuar”
 
A Assembleia Geral, de 4 de maio, transformou-se em mais um episódio agitado; aos assobios e insultos alguns sócios juntaram pedidos de demissão, cenário que levou Manuel Aleixo a recusar o convite para a presidência da direção e ditou a continuidade de Manuel Santos que “já dava indícios de querer tomar decisões a seu belo prazer e sem consultar a restante direção”, explicam os dirigentes em exercício.   
 
Direção manteve-se “para honrar dívida a Manuel Santos”
 
Para a direção em exercício a postura dos sócios na assembleia foi um “crime de alta traição” e em privado quase todos pensaram em desistir. Delfim Silva foi a exceção — o dirigente alertou que Manuel Santos era credor de uma verba que, na altura, rondava “os 20 mil euros e na eventualidade de entregarmos a direção o mais provável seria que não recuperasse o dinheiro — o que seria incorreto da nossa parte, deixar o homem à sua sorte, sem as economias de uma vida de trabalho. Por isso, apesar da carga e do desconforto decidimos levar a direção até ao final desta época”, explicam os dirigentes. 
 
“Lista B” convidada a integrar a direção 2019/20 — “não aceitou”
 
Com um final de campeonato amargo e um clima de hostilidade que se agrava, com declarações contundentes e em alguns casos insultuosas, a direção procurou um entendimento — “convidamos cinco elementos do grupo contestatário a fazer parte da direção”, porque “pensamos que seria uma forma de evitar conflitos e de mostrar que o trabalho que fazemos é sério, transparente e em prol do clube”, dizem os dirigentes ao afirmar que a proposta não foi aceite. 
 
“Um não que revela imaturidade”
 
Para a direção em exercício o não categórico que receberam revela “a imaturidade de quem quer tomar conta do clube” porque “era uma forma de fazer a passagem de testemunho a uma geração mais nova sem perdas para o clube”, dizem ao explicar que “alguns dos atuais patrocinadores fazem-no por relações ou amizades que têm com os membros da direção, não havendo uma passagem de testemunho serena o clube acabará por perder estes patrocínios”.      
 
Pagamento de dez mil euros — uma nova alternativa
 
Inviabilizada uma direção conjunta, nasceu uma nova solução: “propusemos aos pretendentes do clube que se arranjassem dez mil euros para abatermos à dívida do Sr. Manuel Santos entregávamos a direção — responderam que sim e pediram um prazo, mas chegou ao dia e não apareceram”, explicam os dirigentes ao sublinharem que “esta incapacidade de auto-financiamento é um exemplo de que quem se prepara para vir para o clube carece de estofo financeiro para o fazer”. 

Quanto ao restante valor da dívida a Manuel Santos, os dirigentes, explicam que o acordo contemplava o pagamento de cerca de mil euros por mês até saldar a dívida.

Despesas surpresa agravaram orçamento
 
Entre as acusações encontra-se uma possível derrapagem no orçamento, questão que a direção em exercício faz questão de explicar: “são despesas surpresa que aparecem, mas que por norma não são tão elevadas” — “o ano passado gastamos cerca de sete mil euros na reparação da máquina de cortar a relva e durante o arranjo, fomos obrigados a pagar a quem fez o serviço”, dizem os dirigentes, ao falar ainda de uma série de despesas médicas que tiveram com jogadores lesionados.      
 
O presidente demissionário  
 
A rutura com Manuel Santos chegou quando este se sobrepôs a uma decisão de toda a  direção — “aceite e conversada com a equipa” — “em maio do ano passado acordamos com os jogadores que só pagaríamos metade do último salário, mas o Sr. Manuel Santos, quis brilhar e à revelia do que ficou acordado, pagou a totalidade apenas a alguns jogadores” — decisão que segundo os dirigentes em exercício incendiou o balneário e levou muitos atletas, especialmente os que não receberam, a levantar a voz. Manuel Santos nunca explicou os critérios da decisão, mas “sabia que não havia dinheiro suficiente para pagar a todos”.
  
Os problemas que o presidente demissionário gerou no clube não se ficam por aqui e a direção em exercício aponta outras questões: Manuel Santos só “descansou quando incomodou o Sr. Capela ao ponto de ele se ir embora” – Manuel Capela era “motorista do clube a custo zero, fazia-o porque gostava do Lamas”, dizem ao referir como esta postura lesou o União de Lamas “agora, quando precisamos, temos de contratar um motorista”. Novo problema: aos sócios, Manuel Santos, relatou agressões que recebeu por parte de dois membros da direção, situação que os dirigentes em exercício refutam e sublinham que “nunca se chegou a vias de facto — houve uma discussão acesa, com trocas de palavras menos bonitas, mas os relatos estão a ser exagerados de modo a conquistar adeptos”. Por último: a certa altura, documentos internos do clube foram divulgados e começaram a circular nas redes sociais, entre eles documentos relativos à Academia União Centro de Estudos a cargo de Joana Ferreira que a direção em exercício confirma terem “saíram pela mão de Manuel Santos e estas situações não podem acontecer”.

Dizem ao relembrar outro género de ‘saídas’ que Manuel Santos fez à revelia da direção: “com o cartão do clube transferiu 3 500€ para a sua conta e apoderou-se de 1 700 € em numerário”, valor que a direção indica será descontado ao valor em dívida. 

▌Centro de estudos levanta opiniões divergentes entre fações
Academia União Centro de Estudos suscita dúvidas
 

Entre os sócios a cedência do espaço Academia União Centro de Estudos a Joana Ferreira levantou muitas questões, mas a direção em exercício explica que Joana Ferreira recuperou um espaço do clube que estava “hediondo” — utilizado por meia dúzia de “bêbados e sem-abrigo da freguesia”. 

Os dirigentes explicam ao “despejarem os inquilinos”, o clube deparou-se com um cenário lastimável e nauseabundo — “das primeiras vezes que lá entrámos só o conseguimos fazer com máscaras”.  A direção em exercício reconhece que dez anos “é muito tempo e tentamos evitá-lo, mas o clube não tinha dinheiro para financiar as obras”, explicam ao frisar que a recuperação do espaço era vital para afastar de vez “aquele género de ocupantes das instalações” — por isso “as obras ficaram ao cuidado da Joana, mas sentimos que tínhamos de salvaguardar o investimento que fez”. Quanto ao valor da cedência, a direção em exercício, avança que “o mesmo se enquadra nos valores que o clube pratica”, nomeadamente com o ginásio, mas do ginásio e das bombas de gasolina “ninguém fala ou refila porque não estão alugados pessoas da terra”. 

Bombas de gasolina recuperadas
 

Os arrendamentos trouxeram à conversa as bombas de gasolina e os dirigentes confirmam que apesar da venda “ilegal” que “o ex-presidente Manuel Pardal orquestrou, em tribunal conseguimos, anula-la e recuperar esse património para o clube” e falam de “uma batalha jurídica com cerca de um ano e com despesas em advogados”.

“Lavandaria não se prende a ligações familiares”
 

A lavandaria é outro ponto quente nestas divergências e ao estar a cargo de um familiar de um dos dirigentes tem sido alvo de inúmeras acusações uma delas de benefícios a familiares. Os dirigentes em exercício refutam as acusações, afirmam que o valor que pagam é “equilibrado e justo” e dão como exemplo diligências feitas por Manuel Santos que “chegou a implicar com a situação. 

Ele pediu três ou quatro orçamentos, mas apercebeu-se que nenhum era tão vantajoso; mais tarde chegou a levar os equipamentos para outra lavandaria, mas não durou mais do que três dias e ele próprio pediu para entregar o serviço a quem já o fazia”.

▌Direção em exercício aponta obras no salão nobre como a razão para o afastamento de Fernando Serra
Obras do salão nobre terão afastado Fernando Serra
 

Alguns dos problemas “são de cariz pessoal” asseguram os dirigentes ao falar de uma situação que consideram ser uma “vendetta pessoal” e dão como exemplo, o caso de Fernando Serra que “ficou ressentido por ser convidado a sair da direção; o Fernando Serra estava encarregue das obras do salão de nobre e, a certa altura, a direção suspendeu os trabalhos porque o valor das faturas era demasiado violento e as obras  tornaram-se incomportáveis”. Confrontado pela direção, Fernando Serra “falou em desconfiança, mas suspendemos as obras e convidamos o senhor a sair”, explicam.

“Luís Miguel não foi despedido, despediu-se”
 

Luís Miguel Martins, pela história que partilha com o clube e a freguesia, é também uma das questões levantadas — a direção em exercício desmente o despedimento e sublinha que o técnico despediu-se. Os dirigentes relatam que os comentários desfavoráveis que o técnico teceu, no balneário e perante a equipa, sobre o então presidente da direção, José Alves, chegaram à direção. Face ao teor das declarações a direção pediu esclarecimentos ao treinador — “nessa conversa o Luís Miguel confirmou o que foi dito; não se retratou e ele próprio afirmou que se ia embora — saiu por vontade própria e não foi despedido”.  

Acrescentam ao sublinhar que um pedido de desculpas “teria sanado a situação, mas o treinador assim não o entendeu”.

 Casas de banho da formação
 

A falta de casas de banho do campo sintético é outra batalha que a direção em exercício trava — “a câmara tem um projeto de bancadas e casas de banho que contempla o sintético e o hóquei campo, temos sido muito insistentes com a vereadora Cristina Tenreiro para a sua execução, mas é uma obra que não nos compete porque o terreno é da junta”, dizem ao falar da alternativa que têm previsto: “temos todo o material necessário, incluindo louças, para colocar e montar casas de banho portáteis, estamos à espera que a junta de freguesia proceda à ligação ao saneamento”.

A direção sublinha que “está consciente que o clube precisa da energia e irreverência dos mais novos — precisa de outra vitalidade e de sócios entre as novas gerações”, mas relembra que “é preciso que o façam com os pés bem assentes na terra, porque o Lamas não tem um mecenas e precisa de administrações muito retas”. 

Em jeito de brincadeira os dirigentes afirmam que gostavam de ser carregados aos ombros dos sócios e ver o União de Lamas regressar às épocas pródigas em títulos, mas a “realidade financeira, agora, é outra e não vamos contrair dívidas para satisfazer ambições” — as épocas de ouro do União de Lamas “foram sustentadas com fortes investimentos pessoais de quem, em bom tempo, o decidiu o fazer” e “quando o tentaram fazer sem fundos de maneio pessoais levaram o clube à bancarrota”. 

Os dirigentes terminam com os resultados que afirmam serão apresentados no final da época e “o clube será entregue a uma nova direção com apenas uma dívida, referente ao valor que falta pagar do sintético, 26 mil euros, que constam do plano de pagamento acordado” — o sintético custou 200 mil euros, 100 mil pagos pela câmara e 74 mil pagos pela direção em exercício.  

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