Política

Sanchez contra os juízes

A decisão corre o risco de transformar essa disputa numa crise constitucional, com o poder judicial aparentemente a visar membros do executivo que dirigem a quarta maior economia da Europa. O confronto teve um impacto negativo sobre Sánchez, que há muito afirma ser alvo de “guerra judicial”, acusando juízes conservadores de prosseguirem com casos infundados contra os seus aliados e familiares.

No ano passado, o primeiro-ministro considerou brevemente renunciar ao cargo depois de a sua esposa ter sido apontada como alvo de uma investigação judicial que está em curso, mas é amplamente considerada infundada. Entretanto, o seu irmão deverá ser julgado no próximo ano por acusações de tráfico de influência ligadas a um cargo na função pública que assumiu antes de Sánchez chegar ao poder.

Ambos os familiares do primeiro-ministro negam qualquer irregularidade e dizem que os casos têm motivação política.

Uma história falsa e um suposto vazamento

O caso contra García Ortiz data do início de 2024, quando a mídia espanhola começou a noticiar uma investigação de fraude fiscal contra o sócio de Ayuso, o empresário Alberto González Amador.

Em Março do ano passado, o diário espanhol El Mundo publicou um artigo alegando que o Ministério Público de Madrid tinha oferecido um acordo judicial a González Amador – uma notícia falsa que o chefe de gabinete de Ayuso, Miguel Ángel Rodríguez, admitiu mais tarde ter espalhado a jornalistas seleccionados.

Quando os repórteres solicitaram confirmação, o Ministério Público esclareceu que na verdade foi a defesa quem propôs um acordo judicial pelo qual o arguido admitiria ter cometido fraude fiscal em troca de uma pena reduzida. Mas vários jornalistas publicaram artigos com essa informação antes da divulgação do esclarecimento, desencadeando uma investigação sobre se os e-mails entre os promotores e González Amador haviam vazado.