Política

Rachel Reeves espera que os acordos comerciais possam salvar o orçamento britânico. Os economistas não estão convencidos.

Com um orçamento difícil a aproximar-se, a chanceler tem cada vez mais voltado o seu olhar para o exterior, na sua busca indescritível de crescimento económico. E com a expectativa de que o Gabinete de Responsabilidade Orçamental desvalorize as perspectivas de produtividade do Reino Unido antes do orçamento, Reeves insta o órgão fiscalizador a “pontuar” positivamente os novos acordos comerciais de acordo com o crescimento que estes possam proporcionar.

Mas os seus esforços podem ser em vão. Longe de serem a solução mágica que irá revigorar a economia, os benefícios dos acordos comerciais podem levar anos a materializar-se – e algumas afirmações do governo parecem ser exageradas, disseram especialistas ao POLITICO.

UE “reinicia” esperanças

Pelas estimativas do governo, os seus planos para “reiniciar” a sua relação com a União Europeia irão acrescentar quase 9 mil milhões de libras à economia do Reino Unido até 2040, o equivalente a um aumento do PIB de 0,3 por cento. Os elementos-chave incluem acordos agroalimentares, comércio de energia e um esquema de mobilidade juvenil.

Uma análise separada de John Springford, membro associado do Centro para a Reforma Europeia em Londres, é mais optimista, prevendo um aumento do PIB entre 0,3 e 0,7 por cento ao longo de dez anos, como resultado do acordo. As maiores melhorias, afirma ele, viriam de um acordo de mobilidade juvenil.

Mas as negociações sobre os principais elementos do acordo apenas começaram e Springford admite que os detalhes ainda são “um pouco vagos”. Como resultado, diz ele, seria difícil para o OBR aceitar o pedido de Reeves para fechar esses negócios, o que também levaria muito tempo para ser concretizado.

Mesmo que as estimativas do governo sejam cumpridas, acrescentou, o acordo pouco fará para reverter os danos globais causados ​​pelo Brexit, que o OBR estima que reduzirá a produtividade do Reino Unido a longo prazo em 4 por cento.