Para a Rússia, o aumento dos preços do petróleo representa um ganho económico inesperado num momento crucial, uma vez que o custo de quatro anos de guerra na Ucrânia ameaçava repercutir-se numa crise económica interna.
O ataque ao Irão pode minar a pretensão de Moscovo de apoiar os seus aliados, mas já está a beneficiar a economia da Rússia e, por extensão, a sua guerra contra a Ucrânia – deixando o Kremlin bem colocado para emergir como um dos principais beneficiários do conflito em expansão no Médio Oriente.
Reviravolta económica
Há apenas algumas semanas, o clima entre a elite económica da Rússia era sombrio.
O plano orçamental do Ministério das Finanças russo para este ano assumiu um valor de referência de 59 dólares por barril de petróleo bruto dos Urais, a principal mistura de exportação do país. Mas em Janeiro, as receitas energéticas caíram para o nível mais baixo desde 2020, agravando uma decepcionante redução fiscal.
À medida que as sanções ocidentais, as elevadas taxas de juro e a escassez de mão-de-obra pressionavam a economia, a tensão entre o Ministério das Finanças e o banco central sobre como mitigar os danos tornou-se cada vez mais visível.
“Estava longe de ser um colapso”, disse Sergey Vakulenko, pesquisador sênior do Carnegie Russia Eurasia Center. “Mas o governo estava a enfrentar escolhas difíceis, teve de cortar as suas despesas e aumentar os impostos e até considerar alguma redução nas despesas militares.”




