Política

Por que a destituição de Andriy Yermak é um terremoto político para a Ucrânia

Para a legisladora da oposição Lesia Vasylenko, a saída de Yermak “mostra que há tolerância zero com a corrupção e que o presidente ouve as preocupações do povo”. Outros disseram que sua saída foi uma lufada de ar fresco.

Mas alguns legisladores da oposição questionaram se Zelenskyy aproveitará o momento para prosseguir políticas mais inclusivas.

A ex-vice-primeira-ministra Ivanna Klympush-Tsintsadze disse ao POLITICO que ainda não tem certeza se o drama mudará a forma como Zelenskyy governa. “A questão é exactamente essa. A forma de governar tem de voltar à Constituição. O Parlamento tem de recuperar a sua agência”, disse ela.

“Isso significa que o presidente tem de concordar em falar com todas as facções, temos de rever a relação no parlamento e formar um verdadeiro governo de unidade nacional, que prestará contas ao parlamento e não ao gabinete presidencial”, acrescentou.

Iuliia Mendel, jornalista ucraniana e antiga conselheira de Zelenskyy que se tornou crítica, disse ao POLITICO que a demissão de Yermak foi “uma reacção desesperada à pressão insuportável”.

“Zelenskyy não tem um substituto real pronto porque nunca pensou que as coisas chegariam tão longe. Mas o calor ficou tão intenso que se resumiu à escolha mais simples: ele ou Yermak. E Zelenskyy escolheu a si mesmo”, acrescentou ela.

Mas Mendel tem dúvidas de que as coisas realmente mudarão muito. “Yermak pode continuar sendo o titereiro das sombras”, ela alertou.