Em geral, os partidos estão unânimes: A abstenção é preocupante

Em geral, os partidos estão unânimes: A abstenção é preocupante

Partidos da Feira analisam resultados das Eleições Europeias.

A pergunta foi simples e foi dirigida de igual forma a todos os partidos.

O que acha importante destacar nos resultados, em Santa Maria da Feira, das Eleições Europeias?

PS | Lia Ferreira

 
Em Santa Maria da Feira os resultados das Eleições Europeias não causaram surpresas. Na realidade este é um Concelho Socialista, em toda a sua linha é maioritariamente de centro esquerda e estas eleições deram nota disso mesmo. Os resultados das legislativas confirmam aqueles que vemos agora nas europeias e divergem das eleições autárquicas, por motivos particulares e não partidários.
Este é um indicador de que os Feirenses reivindicam para o País e para a Europa políticas progressistas sustentadas numa matriz social mais justa e igualitária.
Fica a expectativa de que os eleitores Feirenses reclamem para o Concelho o mesmo
desenvolvimento e visão que pediram para o País e para Europa. O PS está disponível para aplicar em Santa Maria da Feira, a mesma ideologia que se comprometeu levar ao Parlamento Europeu. A política deve servir as pessoas, obviamente que o tem de fazer de forma sustentada e sustentável, mas o cidadão comum é o foco que precisamos de atender. As pessoas são o nosso capital social.
Por último e para reflexão, atendendo à elevada e crescente taxa de abstenção que a nível local como nacional, fica o desafio para que se promova o esclarecimento acerca do que é o projecto europeu e a importância do trabalho de um eurodeputado. Lanço este repto aos diferentes partidos, mas principalmente aos órgãos de comunicação social que pecam na abordagem que têm tido para com o tema.
 

PSD

 
O PSD Santa Maria da Feira regista com a maior preocupação a elevada taxa de abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu. É algo que a todos deve fazer refletir.
Por outro lado, é de notar que o PSD obteve em Santa Maria da Feira um resultado francamente superior à votação registada a nível nacional (27,18/21,94 por cento).
Em Santa Maria da Feira, o PSD continuará a pautar-se por estratégias de desenvolvimento, para assim melhor servir os feirenses e todos aqueles que escolham viver e trabalhar no nosso concelho.
 

PAN

 
A noite eleitoral ficou marcada pela preocupante taxa de abstenção, mas especialmente pelo grande resultado eleitoral do PAN.
O resultado em Santa Maria da Feira, acompanha o crescimento do partido ao nível nacional e regional. Em comparação directa com as últimas eleições europeias, o Partido subiu mais do que três pontos percentuais (1,20%, em 2014, para os 4,3% em 2019), sendo que em nenhumas das restantes eleições, o PAN tinha ultrapassado os dois pontos. Julgamos que muito do resultado conquistado advém do trabalho extraordinário que as bases do Partido têm desenvolvido em cada Concelho do Distrito de Aveiro.
E desta forma, é certo que o PAN vai sentar o ambiente do Parlamento Europeu. O resultado que o PAN acaba de obter é fruto de um olhar político muito distinto; um olhar dissociado da gasta e contraproducente dicotomia ideológica da esquerda/direita; um olhar que se afastou  dos debates em torno de assuntos improdutivos e assentes em mensagens hostis de uns para com os outros; um olhar que privilegiou a atenção sobre as matérias que estruturam o bem-
estar das famílias e o respeito pelos ecossistemas; um olhar corajoso, frontal e coerente, que  assume, sem hesitações, a protecção de todos os animais; o olhar decidido de um Partido que tem nos Direitos Humanos, não um parágrafo frívolo, mas parte estruturante do seu programa político para a Europa e para Portugal.
Apesar da desprezível cobertura que a Comunicação Social dirige à acção do Partido, o PAN tem crescido em todos os actos eleitorais, porquanto a sua mensagem tem sido acolhida por cada vez mais cidadãos que, progressivamente, vai tomando conta do manifesto político do PAN, e percebendo que a acção do Partido não é parcelar, e que vai muito para além das questões ambientais e de protecção dos animais. Essa transversalidade ficou evidente nesta campanha, e o correspondente reconhecimento pelos portugueses que dão cada vez mais força ao PAN.
Um reconhecimento aos candidatos, especialmente ao cabeça de lista Francisco Guerreiro, que assumiu este desafio com enorme convicção e competência, bem como para todos os filiados e voluntários que, com parcos recursos, estiveram soberbos no esforço de levar a refrescante mensagem do PAN aos portugueses.
 

CDU |  Filipe Moreira 

 
Nestas eleições a maior memória que irá ficar será a dos partidos do dito “centrão” a fugirem à discussão sobre a Europa. Foi uma campanha eleitoral marcada pela desinformação, mesquinhez e ataque pessoal, no fundo um triste circo que em nada contribuiu para informar sobre as visões dos candidatos (se é que as têm) e principalmente sobre o que estava realmente em jogo, nomeadamente a federalização da União Europeia ou a criação de um exército europeu.
Com uma campanha fraquinha e enviesada não se poderia esperar uma adesão massiva por parte dos eleitores. E não se verificou! E essa deveria ser a principal conclusão dos Partidos, pois caberá principalmente a eles a tarefa de elucidar o que é, para que serve e o impacto que tem o Parlamento Europeu em Portugal. Numa era onde as principais políticas estratégicas e de fundo são decididas em Bruxelas. Perdeu-se assim mais uma oportunidade.
Outro reparo que não poderei deixar de fazer é o da derrota esmagadora da Extrema Direita em Portugal. Todavia, essa realidade não se aplica a muitos dos países europeus. Facto que também deveria preocupar todos os Partidos, mas uma vez mais assistimos aos que integram o “centrão” a assobiar para o lado e, terminado o sufrágio, preocupados apenas com a negociação e distribuição de cargos entre as duas maiores famílias políticas no Parlamento Europeu, o PPE (onde está o CDS e o PSD) e o S&D (onde está o PS)
Em análise resumida aos resultados nacionais, o terceiro eleito da CDU (obtido nas eleições de 2014) passou para o PS que ficou assim com 9 eleitos e a CDU com 2. O PSD e CDS juntos mantiveram os 6 eleitos. Enquanto que o BE e o PAN dividiram entre si os 2 deputados que haviam sido eleitos em 2014 pelo MPT fruto da exposição mediática que os media haviam dado à falácia Marinho e Pinto, ficando assim o BE com 2 deputados e o PAN com 1.
 

CDS | Angêlo Santos

 
O CDS Santa Maria da Feira considera que o resultado do partido a nível nacional ficou aquém dos objetivos definidos internamente. Concorda assim com a presidente do partido Assunção Cristas ao tomar posição assumindo o mau resultado e felicitando os vencedores. 
O CDS Santa Maria da Feira considera que o resultado obtido pelo partido no município nas passadas eleições europeias ficou dentro dos parâmetros considerados razoáveis uma vez que o partido se manteve como a quarta força política no município. 
E também porque foi o concelho da Feira em todo o distrito de Aveiro a conseguir maior quantidade de votos para o CDS. 
 

INICIATIVA LIBERAL | Daniel Melo

 
Nota prévia: Terminado o ato legislativo para o Parlamento Europeu, ficou bastante patente – e claro – que os partidos “tradicionais” mostram-se obcecados com o Ontem. Se não veja: o PS, BE e o PCP não tinham qualquer tipo de repulsa em invocar Pedro Passos Coelho, Austeridade e Troika nos seus discursos, enquanto, por sua vez, o PPD-PSD e CDS-PP tinham uma certa jubilação perversa em trazer Sócrates à colação. Ora, daqui, pode-se concluir o seguinte: os Partidos “tradicionais” fazem política a olhar para o passado, enquanto a Iniciativa Liberal pretende olhar para o Futuro.
Como o título da crónica dá a entender – sejamos honestos – é chato falar de política. Os jovens não se interessam por participar no debate político, em reivindicar as suas legítimas pretensões através do exercício do seu dever cívico, votando nas suas convicções e partidos. Claro, são jovens, têm uma vida pela frente e os problemas do País só terão impacto nas suas vidas quando forem “adultos”. No entanto, as políticas adotadas no presente condicionam o futuro de um país e de uma sociedade. Daí, os jovens “com o sangue na guelra” deviam já estar a preparar terreno para o amanhã, procurando que sejam criadas as condições para desenvolvam todo o seu potencial – o que não tem sucedido!
Para os adultos, falar de política é secundário. Todos os cidadãos com responsabilidades económicas, profissionais e parentais, estão demasiado absorvidos na sua vida e nos “seus problemas” que, simplesmente, não têm vontade sequer de falar em política. E, quando o fazem, exercem o direito de voto como se tratasse de um frete ao invés de um dever cívico, acreditando no seu íntimo que esse mesmo voto não fará a diferença.
Por sua vez, os cidadãos seniores – cansados de tantos anos de trabalho, de promessas politicas nunca cumpridas e de verem as suas reivindicações e expectativas defraudadas –, apresentam-se profundamente descrentes nos políticos, não sendo raro ouvir da sua parte adágios como “Eles só querem é tacho!”; “São todos os iguais”; “São todos uns ladrões!”. 
No dia 26 de maio, estive pela primeira vez numa mesa de voto (fui Suplente do Presidente na mesa) e senti a abnegação popular neste ato político. Este desinteresse teve uma consequência clara: a abstenção foi a grande vencedora da noite – 68,6%!.
É grave um País ter um nível de abstenção tão, mas tão elevado. Particularmente quando pensamos que há pouco mais de 45 anos nem se podia votar livremente. 
É urgente fazer uma reflexão pessoal de tudo o que está mal na política: a opacidade das relações no governo e deste com outras entidades, o sistema que se encontra instalado para favorecer os mesmos … Mas, sobretudo, é emergente desconstruir a ideia de que isto nunca vai mudar.
Não vamos esquecer que para haver uma real diferença no estado geral do País, é essencial exercer o direito de voto, mesmo que seja de Protesto, na forma de voto Branco ou Nulo. De outra forma, levaremos com as escolhas dos outros. 
De que vale reclamar e opinar nos cafés e nos grupos de amigos, quando chega a hora de ir votar e dá uma preguiça de o fazer, ou porque está sol, ou porque joga a minha equipa de futebol, ou porque tenho que ir às compras? Entendo perfeitamente que estes planos sejam bem mais apetecíveis que ir à sua Junta de Freguesia, esperar 10-15 minutos, pôr uma cruz num papel e vir embora. Contudo, convém realçar que esse tempo de que está a despender agora, terá impacto direto nos seus próximos 4 ou 5 anos. Se não vai votar, arroga-se realmente no direito de reclamar das decisões que são tomadas?
Se considera que a solução passaria por pessoas novas, com caras novas, com um ar de modernidade face aos partidos tradicionais mofentos e demasiado presos ao passado, nós somos a opção.
Eu, enquanto representante da Iniciativa Liberal, peço para confiarem no nosso projeto – e agora pensam “isto é conversa de político; é mais do mesmo”. Até pode ser (e confesso que soa a isso), mas no meio da regra, há a exceção – Acredito que somos essa alternativa no Concelho e no País.
Aproveito ainda este momento para deixar o meu agradecimento aos 383 Feirenses que confiaram e acreditam na nossa ideologia. E você, também não nos quer dar esse voto de confiança?