Pelo menos 14 pessoas morreram durante ou logo após os ciclones extratropicais Kristin, Leonardo e Marta, que causaram graves inundações desde a cidade de Alcoutim, no sul, até à movimentada cidade do Porto, no norte, onde as águas do rio Douro transbordaram para o bairro da Ribeira. Os ventos fortes cortaram o fornecimento de energia a mais de 100 mil habitações em todo o país e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou todos os municípios costeiros sob alerta amarelo.
As interrupções nas redes de transportes públicos do país relacionadas com o clima podem complicar as tentativas dos eleitores de chegarem às assembleias de voto. O tráfego está suspenso na rede ferroviária urbana de Coimbra e a linha férrea que liga Lisboa aos subúrbios costeiros como Estoril e Cascais funciona com horário reduzido.
Adiar ou não adiar?
Ventura apelou esta semana ao adiamento da segunda volta, insistindo que o país “não era capaz de realizar eleições neste ambiente”.
Embora 19 municípios especialmente atingidos – onde vivem 31.862 eleitores – tenham recebido permissão para adiar a votação por uma semana, as assembleias de voto estão abertas em todos os outros lugares. Tanto o Presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, como a Comissão Nacional Eleitoral insistiram que o adiamento da votação a nível nacional violaria a lei eleitoral.
O candidato de centro-esquerda Seguro sugeriu na sexta-feira que Ventura estava a tentar criar confusão sobre o estado das eleições porque “tem muitos incentivos para pressionar pela desmobilização eleitoral do povo português”.
Num discurso televisionado no sábado à noite, Rebelo de Sousa confirmou mais uma vez que a votação estava a avançar e apelou aos eleitores para “ultrapassarem a calamidade” para votarem. Comparando as condições actuais com as vividas quando se realizaram as últimas eleições presidenciais em 2021 — em plena pandemia de Covid — o presidente cessante declarou “votar significa liberdade, votar significa democracia, votar significa Portugal”.




