Segundo Iványi, foram as manobras políticas de Orbán que os separaram, uma vez que o pastor permaneceu comprometido com os valores liberais progressistas enquanto Orbán se moveu para a direita para consolidar o apoio político.
O momento em que o relacionamento deles se desfez ocorreu durante o segundo mandato de Orbán em 2010, quando ele pediu a Iványi que o apoiasse publicamente e que tirassem fotos juntos. Iványi recusou, pois apoiava um partido da oposição.
“Foi-me prometido apoio financeiro extra para aquela foto”, disse ele.
E quando ele recusou, “me disseram que (Orbán) ficou absolutamente ofendido com isso”.
A partir de então, a Irmandade Evangélica Húngara de Iványi — um proeminente movimento dissidente religioso que ele fundou sob o comunismo — começou a enfrentar problemas.
Em 2011, uma nova lei eclesiástica retirou à congregação o seu estatuto de igreja oficial – uma medida que a congregação ainda combate hoje, pois ajudou as autoridades a provocar problemas financeiros e jurídicos. Como resultado, a organização tem agora menos recursos e teve de fechar algumas das suas escolas e abrigos.
Iványi recordou quando um jovem Orbán, em 1989, esteve na Praça dos Heróis de Budapeste, exigindo que os soviéticos abandonassem a Hungria e permitissem eleições livres. É um momento que contrasta fortemente com os atuais laços estreitos do primeiro-ministro com o presidente russo, Vladimir Putin, e com as notícias que sugerem que o Kremlin enviou agentes para influenciar o calendário eleitoral de 12 de abril.
“Fiquei muito grato por haver um homem corajoso com cabelo comprido que disse aos russos (para irem) para casa, e nunca pensei que seria ele quem os convidaria a voltar”, disse ele.




