Opinião: O preço do Voto

Opinião: O preço do Voto

Avizinham-se as próximas eleições legislativas e o apelo ao voto tem sido uma constante, depois de em 2015, 44,1% dos portugueses se ter abstido, batendo assim um novo recorde, no que diz respeito à abstenção.
As faixas etárias mais jovens, continuam ao dia de hoje a ser identificadas como uma das principais contribuintes destes resultados, pelo que nos debruçamos sobre o tema, para tentar compreender o que levará os jovens a recusar exercer um direito e um dever que lhes foi concedido.
O facto dos jovens cada vez mais não se identificarem, nem se sentirem próximos das forças partidárias representadas em Portugal, poderá ser uma das razões que originam este número crescente de abstenção. A inexistência de formação política ao nível educacional nos programas letivos atualmente em vigor no país, poderá também estar na base deste número. No entanto, deparamo-nos também com a existência de limitações que os jovens enfrentam quando chega ao momento de votar, entre as quais, as deslocações que estes têm que fazer quando estão a estudar longe da sua área de residência.
De sublinhar que estas legislativas há uma novidade que ajuda a colmatar o que podia ser um grande entrave dos jovens a votar: o voto antecipado pode ser feito de uma forma mais simples e mais adequada às necessidades dos jovens que estudam deslocados das freguesias onde estão recenseados.
Em suma, até dia 26 de setembro os jovens puderam escolher a assembleia de voto que mais lhes convinha para exercerem esse seu direito, evitando assim terem que se deslocar as suas freguesias propositadamente para votar, evitando gastos que podem chegar a valores muito elevados, basta pensarmos em alunos a estudar no continente e residentes nas ilhas. Apesar de, mesmo assim, os alunos que entraram em universidades na segunda fase se verem muito limitados em questão de tempo para o fazerem, esta norma torna mais acessível um direito de todos.
Mas, vale de pouco dar-se um passo à frente na adaptação à realidade jovem com a
implementação desta nova norma se as já implementadas há algum tempo não funcionam. E do que falamos? Do voto antecipado no estrangeiro. Houve portugueses impedidos de votar em Barcelona, Seul e São Tomé por haverem boletins de voto insuficientes.

 Fala-se de emigrante e de jovens estudantes em erasmus a que lhes foi negado o direito de voto, dado que o prazo para o voto antecipado no estrangeiro terminou no passado dia 26. Não há boletins, não há voto, é negado um direito de forma direta.

É urgente a formação e a informação. A formação para que votar seja encarado pelos jovens desde cedo como o que realmente é — um direito que faz a diferença e para que o façam da forma mais livre e esclarecida possível. A informação para que não passe ao lado de nenhum eleitor as diversas ferramentas de que podem fazer uso para que poucos sejam os entraves que os impeçam de votar.

Já foram apontadas algumas ideias para colmatar este problema, como por exemplo o voto eletrónico ou por correspondência, assim como a formação política nas escolas. Assim sendo, vemo-nos obrigados a concluir que existe ainda um trabalho imenso no que diz respeito à redução da abstenção, nomeadamente a abstenção jovem. Não podemos deixar que a abstenção seja causada pelo desconhecimento político ou pela falta de instrução e informação, mas muito menos que seja causada pelo impedimento direto do voto.

João Soqueiro com 23 Anos é natural de Rio Meão e Técnico de marketing na empresa PeoplesPhone. É também membro da comissão política da JSD concelhia de Santa Maria da feira
João Soqueiro
Técnico de Marketing

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