Opinião: “O melhor lugar do mundo para se viver”

Opinião: “O melhor lugar do mundo para se viver”

Para que o(a) Leitor(a) possa compreender ao que venho, tenho de transmitir qual é a minha perspectiva sobre o ponto em que estamos.

Encontrámo-nos em 2019 e há algo que me parece não fazer muito sentido em Santa Maria da Feira. Se por um lado temos um orgulho incontido na nossa história e contributo (inconfessável!) no alvorar da Nação, aparentemente não sabemos muito bem para onde estamos a ir no decorrer do século XXI.

O nosso maior fator de desenvolvimento sempre foram as populações das Terras de Santa Maria, as quais deram forma a vários sectores de actividade marcadamente industriais e potenciadores do crescimento económico e populacional do concelho. Estes Homens e Mulheres conseguiram colocar um pedaço do seu trabalho em todos os recantos do mundo, seja através dos produtos da cortiça, do calçado, da metalomecânica, da puericultura, do papel e até dos serviços.

Por outro lado e por mais estranho que pareça, temos dificuldade em apresentar nomes de artistas ou intelectuais que tenham nascido ou vivido nestas Terras e tenham alcançado dimensão nacional, ao longo de todos os séculos da nossa história, algo bem patente na toponímia do concelho; portanto, indiscutivelmente, constituímos um território com traços marcadamente históricos e tradicionais, com um forte pendor gravitacional à região do Porto, e com prevalência da indústria sobre os serviços.

Posto isto, o que é dar o salto? De forma muito genérica, o actual Presidente de Câmara respondeu-me a essa questão afirmando que pretendia fazer do nosso concelho “o melhor lugar do mundo para se viver”. Foi uma resposta que incorpora na perfeição o espírito dos Feirenses, mas sou forçado a concluir que lhe parece faltar rasgo em áreas cruciais. Há muito que antevia os resultados bastante satisfatórios da gestão das contas municipais, mas de que servirá ao Município “amealhar” até 2021 cerca de 50 milhões de euros, se nem sequer temos (como seria de esperar!) todas as estradas devidamente alcatroadas? De facto, estamos muito longe de sermos o “melhor local do mundo para se viver”.

O actual Presidente, Emídio Sousa, devia assumir um papel que considera odioso: fazer do Município a que preside, ele próprio, um fator decisivo de crescimento e qualidade de vida, mas para isso precisa de abandonar a crença na infalibilidade absoluta da famigerada “mão invisível”. Aquilo a que se assiste no mercado imobiliário é um exemplo claro dessa falha, dado que aquilo que é construído apresenta preços proibitivos para o comum cidadão feirense, ao mesmo tempo que se deterioram edifícios semiconstruídos à mercê da sua atuação.

Mas não seria só com uma intervenção pontual no mercado imobiliário que se melhoraria a qualidade de vida de muitos feirenses. 

A população do nordeste do concelho merece a construção de uma piscina municipal e o Porto do Carvoeiro uma atenção singular para o aproveitamento das suas encostas; 

as nossas instituições culturais e desportivas necessitam de um vasto programa de reabilitação das suas instalações; as ribeiras que cruzam as nossas freguesias precisam de ser colocadas à disposição das populações para que possam usufruir do contacto com a natureza ou simplesmente praticar desporto, criando aquilo a que se poderia chamar “Caminhos de Terras de Santa Maria”; a educação para a economia circular não se pode ficar por meras iniciativas bem-intencionadas, visto ser no lar de cada família que muito se pode fazer designadamente com projectos-pilotos de separação de resíduos e incentivos financeiros à reciclagem de produtos de plástico e óleos; o edificado do município tarda a adaptar-se a todos os cidadãos e a assumir práticas ambientalmente sustentáveis, tal como o autoconsumo de energia; os carros ao serviço dos técnicos e representantes da Câmara Municipal que mais quilómetros têm de percorrer, já deviam ser eléctricos; e qualquer pessoa (do concelho ou não) que queira adquirir um veículo eléctrico, chega a Santa Maria da Feira e não encontrará local onde abastecer. Estas e muitas outras são iniciativas que precisam sair do papel e serem colocadas rapidamente no terreno, sob pena de desaproveitarmos todo o nosso potencial.

 

Fazer de Santa Maria da Feira o “melhor lugar do mundo para se viver”, não tem de ser uma apologia ao apequenamento dos nossos vizinhos, nem sequer um aforisma insondável; basta que seja um lema para o principal agente do território, o próprio Município, e se traduza em acções concretas que influenciem a vida de todos nós. Seja por Emídio Sousa ou outro qualquer, o que eu quero e, por certo, todos os feirenses também, é alcançar o gáudio de poder dizer: “Sou do melhor lugar do mundo para se viver”

Daniel Tavares Gomes, 32 anos, licenciado em Economia, Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais e Pós-Graduado em Economia Social. Autor da obra "Perfectível - O Ser Humano e a Economia", membro da Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesia de Santa Maria de Lamas, pelo Partido Socialista. Técnico de Controlo de Gestão do Grupo Solverde, Formador e Microprodutor de Energia Fotovoltaica
Daniel Gomes
Técnico de Controlo de Gestão do Grupo Solverde

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