Daí surge a nossa convicção de que os anos sombrios do Putinismo não são uma inevitabilidade histórica, mas uma aberração. E que quando o regime de Vladimir Putin terminar, a Rússia terá a oportunidade de regressar ao caminho europeu.
Mas o que significa realmente este “caminho europeu”? Da Hungria a Portugal, da Suécia à Grécia, a Europa é vasta e diversificada. As suas nações diferem tanto na governação como na sua evolução política.
Além disso, 2025 foi um ano de duras provas para os países do continente, mesmo segundo os padrões recentes. A guerra de Putin contra a Ucrânia continua e a UE enfrenta intensa pressão política tanto externa como interna. Economicamente, a situação também está longe de ser ideal, uma vez que os países da UE são forçados a aumentar drasticamente os seus gastos em defesa e segurança, dando novas munições aos populistas de todos os matizes.
Coisas que até recentemente pareciam evidentes, agora parecem mais incertas. Opiniões marginais sobre questões fundamentais — desde valores humanistas à migração, políticas ambientais, direitos das minorias e relações com ditaduras — estão subitamente a ser expressas a partir das plataformas mais altas. Não muito tempo atrás, isso seria impensável.
Quando Alexei Navalny falou da “Bela Rússia do Futuro”, imaginou um país europeu pacífico, democrático e próspero. Mas o que significa ser um país europeu hoje?
Apesar de todos os seus desafios internos, contradições e desacordos, a Europa sempre foi – para mim e para muitos russos – um símbolo de bem-estar.




