Duelo de cessar-fogo
Num último esforço para proteger o seu principal feriado nacional, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou um cessar-fogo de dois dias a partir de 8 de maio.
A Ucrânia respondeu-lhe com o seu próprio cessar-fogo por tempo indeterminado dois dias antes, testando o verdadeiro compromisso da Rússia com a paz. Mas depois de Moscovo ter respondido com mais uma onda de ataques mortais contra cidades ucranianas, Zelenskyy ameaçou “responder simetricamente”.
A Rússia, por sua vez, prometeu atingir o centro de Kiev se tiver como alvo as celebrações. É revelador que, pela primeira vez em anos, nenhum jornalista estrangeiro será autorizado a assistir ao desfile de Moscovo, presumivelmente para garantir o controlo da narrativa caso algo corra mal.
Numa tentativa de proteger a capital, mais de 40 instalações de defesa aérea foram alegadamente redireccionadas para Moscovo, deixando outras partes da Rússia mais expostas, algo que a Ucrânia poderia potencialmente explorar.
Mas mesmo que as festividades do Dia da Vitória na Rússia decorram sem incidentes, a Ucrânia pode já ter alcançado parte do seu objectivo: perturbar a vida dos russos comuns na esperança de que comecem a questionar as prioridades da sua liderança.
“Vladimir Vladimirovich teve a ideia de celebrá-lo (o Dia da Vitória) de uma forma grandiosa”, disse outro residente de Moscovo à Sotavision, num raro exemplo de crítica pública ao presidente russo.
“Mas algo deu errado. Talvez algo precise ser consertado no núcleo”, disse ele.




