Após o relaxamento das regras de saída ucranianas durante o verão, o número de jovens ucranianos com idades entre os 18 e os 22 anos que entram na Alemanha aumentou de 19 por semana em meados de agosto para entre 1.400 e 1.800 por semana em outubro, de acordo com relatos da mídia alemã citando o Ministério do Interior alemão.
Markus Söder, o primeiro-ministro conservador da Baviera e aliado de Merz, propôs restrições à chamada Directiva de Protecção Temporária da UE se Kiev não reduzir voluntariamente as chegadas. As regras conferem aos ucranianos um estatuto de proteção automático.
A Alemanha é um dos aliados mais leais da Ucrânia na UE. O país acolheu mais de 1,2 milhões de refugiados ucranianos desde a invasão em grande escala da Rússia em 2022 e é o seu maior doador em ajuda militar, depois dos EUA em números absolutos.
Membros da coligação governamental de Merz temem que a presença crescente de jovens ucranianos na Alemanha se transforme num ponto de conflito político por membros do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que criticam o apoio contínuo do governo a Kiev.
A ascendente AfD, agora em primeiro lugar nas sondagens, há muito que exige a suspensão dos pagamentos de assistência social aos ucranianos. Cerca de 490 mil cidadãos ucranianos em idade ativa recebem subsídios de desemprego de longa duração na Alemanha, segundo dados da agência de emprego do país.
A coligação de Merz – que está sob crescente pressão fiscal e, em geral, quer reduzir as despesas sociais – está a trabalhar num projecto de lei que cortaria o direito a tais benefícios para os ucranianos e incentivaria o trabalho.
“Na Alemanha, os pagamentos de transferência para estes refugiados serão tais que os incentivos ao trabalho serão maiores do que os incentivos no sistema de transferência”, disse Merz na quinta-feira.
Na mesma conversa telefónica, Merz também instou Zelenskyy a resolver os problemas de corrupção do país, enquanto Kiev enfrenta as consequências de um enorme escândalo envolvendo propinas – outro desenvolvimento que as autoridades alemãs temem que possa minar o apoio público ao país em apuros.




