Lab InDança: “o corpo e o ritmo da música é como um tambor”

Lab InDança: “o corpo e o ritmo da música é como um tambor”

Clara Andermatt: “vai muito para além de uma ocupação de tempos livres”

▌Tânia com os olhos nos instrumentos que complementaram o ensaio

Não era um espetáculo: a proposta passou por um ensaio aberto onde o público foi convidado a imergir na rotina de trabalho do projeto dance InLab – um ambiente informal, com intérpretes de exceção a que o público se rendeu. 
 

Cineteatro António Lamoso, 11 de dezembro – a coreógrafa, Clara Andermatt, sossegava os seus pupilos para dar início a um ensaio aberto do projeto Lab InDança. 
O palco recebeu todos os presentes – músicos, professores, dançarinos e audiência – e a proximidade gerou um ambiente íntimo, de cumplicidade e quietude. No auditório, as únicas luzes estavam nos artistas – nós, estávamos no escuro. 
 
O projeto Lab InDança é constituído por um grupo com cerca de 20 bailarinos, portadores de deficiências, na sua maioria cognitiva, liderados por Clara Andermatt, auxiliada por músicos, bailarinos e voluntários – tendo ainda o apoio da Câmara Municipal e da Fundação Calouste Gulbenkian.

▌Eva, em primeiro plano, não conseguia esconder a paixão pela dança

O ensaio abriu com a apresentação da equipa e Carla Andermatt preparou o público para um ‘não-espetáculo’ – “o espetáculo está em estado embrionário e ainda há um longo caminho”; “vamos ver a construir e tentar perceber como a máquina é feita”, explicou a coreógrafa ao pedir silêncio para dar início ao ensaio. 
 
Este ano, a escuta, o som e o ritmo são a base da criação artística, que será apresentada em dezembro de 2020 e a inspiração surgiu com o trabalho de Eduardo Neves e o Grupo Santiago a Rufar – os músicos como não têm formação musical criaram uma linguagem própria com base em gestos que identificam os ritmos. O “código rufar” foi aproveitado por Clara Andermatt que o transportou para os seus bailarinos – em palco nasceu uma expressão corporal refletida em dança contemporânea; uma das bailarinas, Tânia, reagia ao rufar dos tambores, num jogo de predador e presa entre a música e a dança que hipnotizou.
 
Este código também foi o mote para outras experiências e como explicou Eduardo Neves “a partir do bombo conseguimos fazer criações” – a mais curiosa chegou com a imitação do maestro.

▌A percursão e os movimentos dos bailarinos hipnotizaram

O maestro dava ordens aos bombos e as bailarinas imitavam-no – o som e as movimentações faziam esmorecer as limitações físicas e cognitivas.

Quase a terminar o ensaio, Raquel, brindou-nos com uma improvisação de canto, a coreógrafa sublinhou a “sua vontade de cantar” e lembrou que esta é uma faceta que a bailarina gosta, mas ainda está a experimentar, “descobrimos os agudos e um ‘vibrato’”.
▌"É um ritmo sentido, não se esconde"

Seguiu-se uma miniconferência orientada pela jornalista Cláudia Galhós – audiência e bailarinos trocaram impressões. A representante da Cerci Lamas deu os parabéns a todos; afirmou-se “fascinada com a evolução de alguns” dos bailarinos; mas realçou os efeitos secundários do projeto: os bailarinos levam “alguns dos ensinamentos para a instituição.”

Ouviram-se outras vozes e até algumas opiniões, sobretudo de mães, mas até nas conversas as bailarinas foram as personagens principais. Eugênia, firmou a sua paixão: “gosto de dançar assim, a este ritmo”; Tânia reforçou a importância do projeto: “nunca vou sair da dança, fico (na dança) para sempre”, “é um ritmo sentido – não se esconde” e deixou-nos com a metáfora, “o corpo e o ritmo da música é como um tambor – é muito importante”.

▌O LabIndança "vai muito para além de uma ocupação de tempos livres"

Ver ao vivo o Lab Indança é aprender a estilhaçar preconceitos numa hora – aqui o trabalho de Andermatt é fenomenal: a coreógrafa, além de uma líder nata, tem a noção exata das capacidades de cada um, adequando as suas intervenções profissionais aos “diferentes níveis” que cada um tem. Lab Indança “vai muito para além de uma ocupação de tempos livres” e que o que se propõe aqui é muito mais que entretenimento, até porque, como frisou: “entretimento é o que não me apetece fazer.”

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