Política

Kyiv e Budapeste iniciam conversações sobre os direitos das minorias húngaras na Ucrânia

O lançamento de negociações a nível de peritos sobre o assunto – após as primeiras conversações directas publicamente reconhecidas entre a Ucrânia e os ministros dos Negócios Estrangeiros da Hungria no fim de semana – sugere que Budapeste pode agora estar aberta a chegar a um acordo sobre a questão.

Falando ao POLITICO na semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, disse que Kiev continua optimista quanto às suas perspectivas de adesão à UE e pretende assinar um “acordo de adesão” com o bloco em 2027. Budapeste até agora impediu Kiev de abrir quaisquer “clusters” – ou capítulos formais de negociação – nas suas conversações com Bruxelas, mas agora há esperanças de que a oposição seja levantada em Junho, e que até cinco clusters sejam abertos nos próximos meses.

Contudo, a adesão plena ao bloco continua a ser uma perspectiva distante. Embora Kiev insista que a adesão à UE é uma parte crucial do pacote que o Presidente Volodymyr Zelenskyy terá de vender ao povo ucraniano como parte de qualquer acordo de paz com a Rússia, não há consenso entre os membros do bloco quando se trata do calendário preciso para a incorporação de Kiev.

A Alemanha, por exemplo, apresentou um documento propondo uma opção de “adesão associada” à qual a Ucrânia se opõe. Entretanto, a Comissão Europeia apoia uma solução intermédia que levaria às negociações técnicas de adesão com Kiev concluídas até ao final de 2027.

De acordo com um alto funcionário do Conselho a quem foi concedido o anonimato para discutir a questão sensível, a recusa do governo de Viktor Orbán em sequer discutir a candidatura da Ucrânia para aderir à UE significa que Budapeste carece agora de documentação fundamental sobre o processo de adesão. Estão agora em curso esforços para acelerar Budapeste em tempo recorde, uma vez que seria necessário um acordo antes da próxima reunião de líderes da UE em Bruxelas, nos dias 18 e 19 de junho.