Crónica: Fortnite: pais, filhos – estão errados! E o que acha o CEO da Youclap.

Fortnite: estamos todos errados!
E o que acha o CEO da Youclap

O eterno debate que se estende desde a geração dos anos 80 sobre os  benefícios/malifícios dos video jogos.

Pais: segurem a raiva. Filhos: não partam o comando, porque neste artigo vou tratar mal toda a gente, defender preconceitos e atacar ideias pré-concebidas com o objetivo único de irritar os meus leitores e conseguir aquela “#1 Vitória Royale” no Fortnite do sarcasmo.

Para escrever este artigo, dediquei uma manhã a jogar Fortnite, até para ver se conseguia entender o que cola os jogadores ao ecrã. 

A minha penosa investigação levou me a concluir que:

Fortnite. Dança de vitória

Primeiro: O jogo é uma moda e, como tal, já apresenta sinais de abandono por parte da sua população diária. Portanto, não fique assustado: o seu filho não vai ficar os próximos 40 anos na sua cave a jogar Fortnite, com uma dieta restrita de bananas e copos de leite. Mas, por outro lado, prepare-se porque outros jogos virão. 

Segundo: Se pensa que o jogo é violento, então faça um favor a si próprio e proíba o seu filho de ver desenhos animados. Há coisas bem piores e otimamente encapotadas, se não acredita: conceda ao seu filho dez minutos do seu tempo e veja, por exemplo, o  “Hora de Aventuras”, no Cartoon Network, ou clique AQUI para se assustar com este artigo fantástico da NME.

No Fortnite não há violência no sentido de sangue ou carnificina, as armas são tão coloridas como as que vemos nas lojas de brinquedos e aqui ninguém “morre”. Há sim, uma animação em que o derrotado se evapora.

 

Terceiro: As mecânicas do jogo são diferentes do tradicional porque o jogador para além de ter de eliminar os adversários, tem de construir barreiras, ora para se defender, ora para chegar a sítios inacessíveis. E, aqui pais, a verdade é só uma, apreciar um bom jogador de Fortnite a fazer tudo isto em simultâneo é como ver um pianista num recital. Não acredita? Veja aqui o “Ninja”, o jogador mais famoso de Fortnite do mundo (Que de acordo com este artigo da DOT Sports, ganhou 10 milhões em 2018).

Quarto: Os jogos em equipa no Fortnite incentivam a partilha e apuram o “team-work”. Sem comunicação, sem partilha de armas, ‘kits’ de saúde ou materiais as equipas não conseguem avançar muito para além das primeiras dezenas de adversários. 

Concluindo, o Fortnite é um jogo onde o utilizador se transforma no Bob o Construtor que, enchouriçado com a vida, decide aviar tudo o que lhe cruza o caminho.

Tendo em conta que a minha opinião é sempre dislate e depois de perder uma manhã com o raio do jogo, porque o que quero mesmo é ir jogar Division 2, sinto-me na obrigação de dar espaço a outras opiniões. Comecei com a mais proeminente alma da indústria multimédia e guru da ‘web’ em Santa Maria da Feira, José Rocha, CEO da Youclap (conheça a youclap AQUI ) o que achava desta confusão toda. E eis o que ele tinha para dizer sobre isto ao DF:

“O mundo por norma odeia o que não conhece nem compreende, e a indústria dos videojogos é o bode expiatório perfeito para a violência gratuita que insurge na sociedade. Para acrescentar o combustível ao fogo — os média, tradicionais, vêm nesta expansão tecnológica e social uma forte concorrência que lhes está a tirar o “attention span” e obviamente vão lutar, nem que seja com dados menos precisos.”

 

Em conclusão: mais do que o problema de um jogo específico – o problema: somos nós, pais: vigie as horas que o seu filho jogue, crie rotinas de intervalos, saia de casa com o seu filho e monitorize as conversas que ele tem com desconhecidos. 

Na minha opinião, duas horas a ver animação são boas para entorpecer o cérebro dos nossos filhos, ao passo que essas duas horas usadas em vídeo jogos ajudam a aumentar velocidade de raciocínio, “problem-solving”,  “team-work” e decisões sobre pressão. Obviamente que tudo tem que ter regra.

Mas é um facto que os E-Sports fazem cada vez mais parte do nosso quotidiano, se não é só ver que até o Clube Desportivo Feirense, já está preparado para o futuro com a sua própria equipa, pode conhecê-los AQUI.

Ao fim e ao cabo quando eu era pequeno, por estar sempre colado ao meu ZX Spectrum a minha mãe também pensou que seria no futuro um adulto disfuncional… Oups.

 
O Tomás colabora com o Diário da Feira onde geralmente é-lhe pedido para escrever sobre uma variedade temas que mais ninguém quer escrever (ou saber), sempre com receio de represálias, demonstra-se jornalista cobarde, de qualidade inferior e indigno de representar a classe.
Tomás Santos-Morteiro
Ovelha Negra