“O balanço desta Volta tem um sabor amargo porque nada correu como esperávamos”

“O balanço desta Volta tem um sabor amargo porque nada correu como esperávamos”

Joaquim Andrade lamenta série de infortúnios na  81.ª Volta a Portugal

• Equipa da Vito Feirense PNB com Joaquim de Andrade | Foto: Helena Dias

A prova rainha do calendário nacional de ciclismo deixou um “um sabor amargo”, na equipa fogaceira e Joaquim Andrade, diretor desportivo da Vito-Feirense-PPNB, é o primeiro a reconhecer que “praticamente nada correu como esperávamos”. 
 
Superação é, de facto, a palavra que melhor define a prestação da equipa Vito-Feirense-Pnb na 81.ª Volta a Portugal Santander. Ao longo de 11 jornadas e 1 531,3 quilómetros, sob o comando de Joaquim Andrade, os sete ‘fogaceiros’ fizeram frente às constantes adversidades surgidas na prova rainha do calendário luso, chegando ao final da Volta com o sentimento de dever cumprido e a equipa completa a terminar a edição de 2019 na nona posição, entre as 19 esquadras presentes
 
“Os percalços começaram a surgir desde a primeira etapa em linha e uma sucessão de maus momentos, em partes cruciais da corrida, impediram os nossos corredores de mostrar o seu real valor”, explica Joaquim Andrade ao saudar a garra dos ciclistas, em especial de Jesus del Pino: “no fundo, o maior ponto positivo foi a atitude dos corredores, que superaram sempre as dificuldades que surgiram, com ponto máximo para Jesus del Pino, que sofreu uma queda impressionante, depois de uma sequência de azares desde a chegada à Torre”. Uma queda aparatosa que correu as páginas da impressa mundial, “naquele dia, na Sra. da Graça, Jesus del Pino viu o seu trabalho ir por água abaixo. Ficou descolado do pelotão, mas teve a ajuda dos colegas, principalmente de João Barbosa e Oscar Pelegrí, que o socorreram.

Apesar do sofrimento que passou, manteve-se em corrida, e para mim, o gesto foi uma vitória e talvez o ponto mais alto da corrida, embora tenha sido um ponto de sofrimento e de tristeza”, sublinha Joaquim Andrade.

Embora os resultados no papel não façam jus ao trabalho realizado dia a dia na estrada, destacam-se: João Matias 5.º na chegada à Guarda e 9.º no prólogo em Viseu; Filipe Cardoso 5.º em Bragança e 10.º no alto do Larouco; Jesus del Pino 17.º no alto da Torre e de Santa Quitéria e 29.º na Sra. da Graça, após uma durissima queda que assolou o ‘Cavaleiro de Segurilla’ aos primeiros quilómetros da jornada.

Nas contas finais da Volta a Portugal, Jesus del Pino fechou em 21.º da geral, Filipe Cardoso em 28.º, João Barbosa em 60.º, Björn Thurau em 64.º, João Matias em 76.º, Oscar Pelegrí em 85.º e Raúl Rico em 99.º lugar. Na classificação da juventude, Barbosa foi 6.º e Rico 11.º, entre os 12 corredores sub-23 a terminarem a 81.ª edição.

Declarações Vito-Feirense-Pnb:

Jesus del Pino

“A Volta começou bem, com muita expectativa, mas um furo no primeiro final em alto, na Torre, sentenciou a corrida. A partir daqui todos os dias enfrentamos uma série de percalços, cada dia pior, que culminaram com a queda do dia da Sra. da Graça – foi aguentar e tentar terminar a prova. Agora sinto-me bem, à parte dos ferimentos. Tenho a agradecer ao corpo técnico a confiança e aos companheiros de equipa por toda a ajuda – sinto não ter podido fazer mais na corrida.”

Filipe Cardoso

“A classificação geral ficou hipotecada desde que o Del Pino começou a ter azares, era o nosso ciclista que podia ultrapassar a alta montanha com os da frente e ambicionar um Top 10. 

O meu objetivo para a prova era ganhar etapas e estive na discussão pela etapa do Larouco e de Bragança. Tive uma terceira tentativa na chegada a Felgueiras, que acabou por não dar em nada, mas penso que honrámos os patrocinadores, estivemos visíveis e lutámos por etapas. 

A lamentar temos os azares que nos aconteceram, sobretudo as quedas, estando quase meia equipa envolvida. No meu caso, tive uma queda logo no segundo dia, que acabou por prejudicar-me nos dois a três dias seguintes. O Del Pino nem se fala, ficou completamente magoado e, nos dois dias que poderia ter uma palavra a dizer, acabou por correr tudo mal. O ciclismo é assim, é feito de sorte e de azar. Tivemos azar em alguns momentos cruciais, mas não fomos só nós, às outras equipas também aconteceu-lhes o mesmo.”

João Barbosa

“Pessoalmente, foi fenomenal viver esta primeira Volta a Portugal. Foi uma pena os azares que tivemos, mas acaba por ser uma experiência única. A primeira parte foi muito boa, depois decai a forma porque não soube gerir muito bem as forças — são erros a corrigir para o próximo ano. Foi uma prova concluída com muito sofrimento após a etapa da Sra. da Graça e todos os dias foram duríssimos.”

Björn Thurau

“Foi uma boa e dura Volta, com altos e baixos especialmente para o Del Pino, o nosso líder para a classificação geral. A etapa da Sra. da Graça foi um dia triste para a equipa, mas no final conseguimos terminar todos a Volta e podemos ir felizes para casa.”

João Matias

“Em termos de resultados, esta Volta a Portugal não foi aquilo que esperávamos. Somos ambiciosos e queríamos mais, mas naqueles momentos decisivos tivemos sempre algum azar e as coisas acabaram por não sair como pretendido. Não baixámos a cabeça, tivemos etapas em que atacámos e participamos nas fugas que disputaram as chegadas. Quanto a mim, o quinto lugar da Guarda deixou-me feliz por estar na frente numa chegada que não se adequava às minhas características. O nono lugar no prólogo e os valores que fiz deixam-me com a sensação de que estive bem.”

Oscar Pelegrí

“Nesta Volta senti-me bem fisicamente, mas com alguns problemas. Não tive as melhores sensações no primeiro dia e no dia após o descanso, mas o corpo mudou nos dias seguintes senti-me cada vez melhor. Contudo, os percalços com equipa ao longo da corrida foram um pouco frustrantes porque em muitos dias, aconteceu-nos sempre algo que nos impediu de estar na luta pela vitória — o que me deixa um pouco dececionado com o que foi a Volta como rendimento. Não conseguimos o objetivo que tínhamos, mas perante estas coisas não se pode fazer nada.”

Raúl Rico

“Foi uma experiência muito boa, muito bonita. O ano passado estava a ver o meu amigo Raúl [Alarcón] na estrada e este ano vive-lo foi uma experiência muito boa. Nas primeiras etapas ajudei a equipa no que podia, na segunda parte e na etapa da Torre senti-me um pouco pior, pela dor nas costelas e tive algum desconforto quase até ao final da Volta. Nas últimas etapas voltei a sentir-me melhor e penso que é um bom trabalho para o futuro.”

 

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