Fiães não pode esquecer o Padre Sá

Fiães não pode esquecer o Padre Sá

Completam-se 75 anos após a sua morte

Foi há 75 anos que nos deixou um dos maiores vultos da história de Fiães, da história destas nossas Terras de Santa Maria. Falamos do padre Manuel Francisco de Sá, nascido em 7 de outubro de 1883, em Duas Igrejas, e que paroquiou Santa Maria Maior de Fiães durante quase 12 anos: de julho de 1920, até setembro de 1931.

Mais que o seu trabalho realizado à frente da paróquia, enaltecido pelos seus paroquianos de então, Fiães deve-lhe a maior obra até hoje realizada na freguesia; uma obra que publicada em 1940 é, como bem salientava, D. Moisés Alves de Pinho, então Bispo de Angola e do Congo, no prefácio da monografia Santa Maria de Fiães, da Terra da Feira, « é uma louvável iniciativa de, por um estudo aturado e inteligente, tornar mais conhecidos os diferentes aspectos da história e da vida da bela terra fianense».

O Padre Sá partiu há 75 anos! Mas o seu livro, que o anterior executivo da Junta de Freguesia em boa hora resolveu reeditar – os mil exemplares editados em 1940 andam distribuídos um pouco por todo o País;

basta lembrar que estiveram à venda, em Fiães, em três livrarias do Porto e numa de Lisboa – continua bem presente, sobretudo para aqueles que continuam a pensar que respeitar opassado é o melhor caminho para construir um futuro de que todos nos possamos orgulhar. 

Ainda, lembrando o que escrevia no prefácio do livro, D. Moisés Alves de Pinho – para o Padre Manuel Francisco de Sá, «o filho mais ilustre desta terra de Santa Maria – a recordação da terra natal anda sempre aliada ao amor que consagramos a nossos pais e daí a primazia que todos lhe damos: preferimos os nossos progenitores, embora pobres e humildes, aos grandes e poderosos, a nossa aldeia, por modesta que seja, às mais ricas e florescentes cidades». E o padre Sá, não sendo nascido em Fiães, fez sua esta Terra de Santa Maria. Em 1937, no prefácio da «Monografia de Paramos», onde foi pároco depois de ter saído da paróquia de Fiães, escrevia: «pressinto que a minha obscura carreira de Pároco se avizinha do seu termo». Porque a «saúde era precária», o Padre Sá foi dispensado de Paramos e, como se pode ler o texto de introdução de Santa Maria de Fiães, da Terra da Feira, «voltei a residir na minha modesta casa dos Valos, freguesia de Fiães».

O Padre Sá, como é ainda hoje recordado (mas algo esquecido) em Fiães, legou-nos uma grande obra. Santa Maria de Fiães, da Terra da Feira, é, como muito bem acentua D.Moisés Alves de Pinho, no prefácio do livro, uma obra a «a que não faltará o acolhimento de que é digna e não serão os fianenses ausentes os que menor apreço lhe hão de dispensar». E, também, tal como escrevia o então Bispo de Angola e do Congo, todos nós, fianenses, devemos recordar e felicitar «calorosamente o Revº Padre Manuel Francisco de Sá, testemunhando-lhe, em nome de todos, o nosso profundo reconhecimento, por mais esta inequívoca prova de interesse e amizade pela terra que tanto beneficiou».

Porque continuo a ter o livro do Padre Sá, «sempre à mão», aconselho vivamente os fianenses, que ainda sentem o pulsar desta terra, antes uma grande, mas modesta, aldeia, hoje uma pequenina cidade, a ler a maior OBRA até hoje feita na nossa TERRA.

Iniciou (1960) a vida no jornalismo como colaborador do Correio da Feira. Passou, depois, pelo Mundo Desportivo, e durante anos trabalhou para o Norte Desportivo e O Primeiro de Janeiro. Foi, ainda, colaborador do jornal Público (seis anos) e Jornal A BOLA (40 anos), agências noticiosas, ANOP, Noticias de Portugal e LUSA. Foi co-fundador, e seu primeiro diretor, do Terras da Feira, diretor do Noticias de Paços de Brandão e do Comércio da Feira.
Carlos Fontes
Jornalista