Santa Maria de Lamas já produz a ‘super-comida do futuro’: insetos

Santa Maria de Lamas já produz a ‘super-comida’ do futuro: insetos

 “Não produzo para alimentação humana, mas tenho amigos que já os mastigaram”, José Dias

▌José Dias apresenta a sua "última fornada" de baratas

Em alguns países são desprezados e temidos porque têm uma aparência desagradável e até assustadora; noutros são uma alternativa sustentável e nutritiva à proteína convencional – em Santa Maria de Lamas o “super-alimento” do futuro é produzido como alimento vivo para animais.

À entrada do armazém de José Dias, o ar quente e húmido que garante a saúde das colónias é o primeiro sinal de alerta para uma reação de repulsa que cresce quando, ainda no escuro, conseguimos ouvi-los antes de os ver — são dezenas de tabuleiros de plástico, com milhares de insetos em diferentes estados morfológicos que trepam, tentam fugir, reproduzem-se ou saciam a fome; têm nomes científicos elaborados, mas chamar-lhes escaravelhos, barata argentina e tenébrio torna a tarefa mais fácil. 
 
Por ano em Santa Maria de Lamas são produzidas cerca de 1 milhão de baratas, mais de 500 litros de tenébrio e outros tantos escaravelhos — vendidos como alimento vivo para as lojas de animais. A produção não satisfaz as necessidades do mercado e o objetivo é “produzir em escala”, mas a fragilidade dos animais dificulta a tarefa.

“O objetivo é produzir em escala e viver disto, é um desafio grande que ainda não consigo fazer, mas sei que é possível fazê-lo, só preciso de mais conhecimento”. Conhecimento que para José Dias chega em forma de “engenharia inversa”.  

▌Uma verdadeira aula de biologia onde pode ver todos os estados morfológicos dos insetos

“No início aprendi com amigos, agora adquiro parte do conhecimento científico com estudos lançados por algumas universidades dos Estado Unidos que se dedicam à exterminação destas pragas — um deles, por exemplo, é a praga da farinha”. 

Praga que não corre o risco de encontrar em casa porque estas três espécies só se reproduzem em condições climáticas muito especiais — “se eles fugirem, na melhor das hipóteses, morrem de velhos ou são comidos por ratos, aranhas, e lagartixas; estas espécies só se reproduzem em países tropicais e sub-tropicias”.

A mais notável de todas as curiosidades, contraria as expetativas, como José Dias explica, “são dos bichinhos mais limpos que existem na natureza” e qualquer contacto com matéria putrefacta ou alimentos menos frescos constitui uma ameaça de morte para estes animais — por isso, comem apenas “farelo de trigo, sem fungos nem bolor. Temos também que lhes dar uma fonte de humidade que no meu caso é abobora”, diz ao explicar que há quem o faça com “batata, bolina, chila ou cenoura, mas o melhor é o chuchu”. 

Estando nós num excelente palco para um filme de fobias, não podiam faltar as aranhas — são muitas e com grandes teias que adornam o armazém, mas são também um método eficaz e biológico no controlo de pragas, nomeadamente das traças, o inimigo número um destas três espécies. 

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“Nunca iria usar pesticidas ou outro tipo de controlo de pragas aqui dentro, por isso não limpo uma única teia de aranha”, refere, ao rir-se, denunciando o que se prepara para acrescentar “além disso, a aranha é sinal de dinheiro”.

▌"O objetivo é produzir em larga escala e viver disto" - José Dias

A produção de alimentos vivos para animais nasceu de um hobbie e da repulsa que sentia quando, sem outra opção, comprava alimento vivo importado, mas em estado de putrefação — “os primeiros contactos que tive foi na Feira do Passarinho do Porto; eles apareciam lá importados sobretudo da Bélgica, mas metiam nojo; tinham humidade a mais e quando estão em putrefação cheiram muito mal, ficam viscosos e isso metia-me muito nojo”. 

“Dois amigos que criavam em pequenas quantidades, deram-me para criar e comecei a criar”, diz José Dias ao falar de um êxito que virou uma profissão, “como tinha mais sucesso, eles pediram para começar a produzir em escala — isto foi há dez anos”.

Nutritivos, acessíveis e mais sustentáveis — os insetos são considerados os “super-alimentos” da roda dos alimentos prevista para 2050, atributos que os colocam na ordem do dia dos debates globais sobre nutrição. Na Tailândia são caros, mas na China são muito baratos; na Austrália vendem-se em barras; na Europa fritos ou grelhados já complementam alguns pratos — no Brasil há, por exemplo, farinha de grilo, grilos barrados a chocolate e barritas de besouro. Em Portugal o debate foi lançado e já se criam insetos para alimentação humana, mas nessa produção José Dias não vai meter o dedo, apesar de ter “amigos que os comem”.

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Insetos: O “super alimento” do futuro

 
Foto: DR

O consenso é geral e o alto valor proteico dos insetos são uma aposta para o futuro, pode ler mais sobre o assunto NESTE artigo do Público ou neste da Revista Visãos

 

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