Política

As cidades estão prontas para liderar a década de entregas na COP30

Estamos nos tornando um planeta de moradores urbanos, mesmo aqui na floresta amazônica há quase 22 milhões de pessoas vivendo em cidades como Belém, por isso é crucial combinar a preservação com o desenvolvimento sustentável e inclusivo para essas comunidades. Em todo o Brasil e no mundo, as cidades já estão enfrentando esse desafio. Estão a tornar as ruas mais verdes, a servir almoços sustentáveis ​​e nutritivos às crianças em idade escolar, a manter os mais vulneráveis ​​protegidos do calor e das inundações, a conceber áreas urbanas que satisfaçam as necessidades das pessoas – e não dos carros – e a criar bons empregos verdes para todos.

Cada país tem a sua história de inundações, ondas de calor, incêndios florestais ou tempestades intensas que atingem com mais força os locais menos capazes de lidar com a situação.

Na semana passada, nos juntamos a prefeitos, governadores e líderes regionais representando mais de 14 mil cidades, vilas, estados e províncias no Fórum de Líderes Locais Bloomberg COP30, no Rio de Janeiro. Foi a maior e mais diversificada reunião de líderes climáticos subnacionais da história e enviou uma mensagem inequívoca aos governos nacionais: a liderança local já está a dar resultados e está pronta para ir mais longe.

Via C40/Caroline Teo – GLA

Após este momento histórico e impulsionadas pela vontade da presidência da COP30 de colocar a ação climática urbana em primeiro plano, as cidades chegaram à COP30 com três ofertas claras:

  1. Faça parceria conosco para implementar planos climáticos nacionais e transformar estratégias em resultados que melhorem vidas.
  2. Invista no pipeline de projetos locais. Mais de 2.500 projetos procuram apoio e outros milhares podem segui-los se houver vontade política.
  3. Fazer da COP um local de ação e responsabilização onde o progresso seja medido não em promessas, mas em ar mais limpo, redução de riscos para a saúde e criação de empregos verdes.

Se os países aceitarem estas ofertas, o próprio processo da COP poderá evoluir da negociação para a entrega, das promessas para a prova de que os objectivos do Acordo de Paris podem ser não apenas acordados, mas também cumpridos.

Isto não é apenas uma teoria. Já está acontecendo aqui. Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil incorporou o “federalismo climático” na política nacional, ligando o governo federal, os estados e os municípios numa prestação coordenada para o bem de todos os brasileiros e do planeta.

A investigação mostra que, nos países que fazem parte da Coligação para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição para a Acção Climática (CHAMP), a colaboração entre governos nacionais e subnacionais poderia colmatar 37 por cento do défice de emissões globais necessário para permanecer numa trajectória alinhada com Paris. Lançado na COP28, o CHAMP já inclui 77 nações e continua a crescer. O Brasil está mostrando como isso é na prática e inspirando mais países a agir.