Saúde

A reforma salarial da saúde na Polónia enfrenta um revés com a saída dos sindicatos

Os esforços para reformar a estrutura de remuneração médica da Polónia estagnaram esta semana depois de os sindicatos terem saído abruptamente de uma reunião tripartida, acusando o governo de avançar reformas sem dados financeiros adequados ou apoio político para resolver um défice orçamental crescente.

A reunião, convocada pelo Ministério da Saúde, pretendia reunir sindicatos, representantes dos empregadores e funcionários do governo para discutir propostas de revisão dos mecanismos de remuneração do pessoal médico. No entanto, passados ​​30 minutos, os delegados sindicais saíram após o seu pedido de adiamento do processo, devido à ausência de um representante do Ministério das Finanças, ter sido rejeitado.

No centro da disputa estão os planos para alterar a Lei do Salário Mínimo dos Trabalhadores da Saúde, que vincula os aumentos salariais anuais ao salário médio nacional do ano anterior. O sistema tornou-se cada vez mais dispendioso: o ajustamento deste ano exigiu 4,24 mil milhões de euros adicionais, enquanto o orçamento da saúde enfrenta um défice de 3,31 mil milhões de euros, que deverá aumentar para 5,46 mil milhões de euros no próximo ano.

Congelamento de salários

As propostas governamentais em discussão incluem o congelamento da lei salarial por dois anos, o adiamento da indexação de Julho para Janeiro e a introdução de um tecto salarial de cerca de 10.500 euros brutos por mês para médicos a tempo inteiro – uma ideia que provocou forte oposição por parte dos profissionais médicos.

Os grupos patronais reconheceram a gravidade da pressão financeira do sector e criticaram a ausência do Ministério das Finanças, considerando-a “injustificável”, dada a crescente dependência do Fundo Nacional de Saúde em recursos estatais. A Vice-Ministra da Saúde, Katarzyna Kęcka, comprometeu-se a garantir a participação do Ministério das Finanças na próxima reunião, a 2 de Dezembro.

A parte patronal emitiu uma declaração após a reunião, reconhecendo que a situação actual dos cuidados de saúde é extremamente grave e exige um diálogo responsável de todas as partes envolvidas.

Acrescentaram: “Condenamos inequivocamente a ausência de um representante do Ministério das Finanças durante a reunião, o que não só contraria os regulamentos da Equipa, mas também é injustificável dada a crescente dependência do Fundo Nacional de Saúde em fundos orçamentais”. No entanto, a parte patronal manifestou a sua vontade de prosseguir o diálogo.

Os sindicatos insistem que as negociações não podem ser retomadas sem um alto representante do governo e dados detalhados sobre as finanças do fundo de saúde. “Tememos que a única solução seja tirar dinheiro daqueles que recebem salários mínimos, que já são insuficientes”, disse Maria Ochman, chefe da secção de saúde do Solidariedade.

(VA, BM)