Ao mesmo tempo, a Europa espera que as redes se tornem mais resilientes, mais redundantes, menos dependentes de tecnologia estrangeira e mais capazes de suportar aplicações de nível de defesa. Segurança e resiliência não são tarefas secundárias para as operadoras de telecomunicações; elas estão presentes em tudo o que fazem. Desde a aquisição e concepção de infra-estruturas até às operações diárias, os operadores tratam estes esforços como princípios fundamentais que moldam a forma como as redes são construídas, operadas e protegidas. Por conseguinte, como mostra o estudo da Copenhagen Economics, o nível de protecção que a Europa exige actualmente exigirá capital adicional substancial.
Não é realista esperar que infra-estruturas de classe mundial e preparadas para a defesa emerjam de um modelo que se tornou estruturalmente insustentável.
Esta é a ambição certa, mas o modelo económico que sustenta o sector não corresponde a estas expectativas. Devido à fragmentação e ao excesso de regulamentação, o mercado europeu de telecomunicações investe menos per capita do que os seus pares globais, gera cerca de metade do retorno sobre o capital dos operadores nos Estados Unidos e enfrenta custos crescentes associados à expansão das obrigações de segurança. Não é realista esperar que infra-estruturas de classe mundial e preparadas para a defesa emerjam de um modelo que se tornou estruturalmente insustentável.
Uma mudança nas prioridades políticas é, portanto, essencial. A Europa deve colocar o investimento na segurança e na resiliência no centro da sua agenda política. A política deve permitir que esta realidade se reflita nas avaliações das fusões, reduzir a sobreposição de regras de segurança e fornecer apoio público sempre que o interesse público exceda as considerações comerciais. Isto não é um auxílio estatal; é responsabilidade social estratégica.
A conclusão do mercado único das telecomunicações é fundamental para esta agenda. Um mercado fragmentado não pode produzir as soluções seguras, interoperáveis e em grande escala necessárias para a defesa moderna. A Lei das Redes Digitais deve simplificar e harmonizar as regras em toda a UE, apoiada por uma governação simplificada que distinga entre questões nacionais e questões estratégicas transfronteiriças. A política do espectro também deve ir além dos silos nacionais, permitindo que a Europa evite conflitos com a NATO sobre faixas-chave e permitindo implantações coerentes da próxima geração.
A política de telecomunicações hoje em dia também é política de defesa. Quando medimos as lacunas de investimento na implantação de redes digitais, ainda tendemos a medir o acesso simples ao 5G e à fibra. No entanto, deveríamos começar a considerar que — se quisermos ter em conta a segurança, a resiliência e a prontidão para a defesa — o défice de investimento é muito superior aos 200 mil milhões de euros já estimados pela Comissão Europeia.
A escolha estratégica da Europa




