Fiães viu a luz da noite há 88 anos

Fiães viu a luz da noite há 88 anos

Depois da sede, a freguesia inaugurou a rede eléctrica

• 11 de Julho de 1931, uma data que deu aos Fianenses algo que hoje temos por garantido

Faz hoje, dia 11 de julho, 88 anos, que na freguesia de Fiães se inaugurou a luz eléctrica. Pouco tempo depois da sede do concelho ter visto chegar aos seus domíninios a luz eléctrica, vinda do Lindoso, Fiães, já na altura apelidada de «terra da letra» pelo elevado número de filhos seus licenciados (doutores e padres), hoje, ainda chamada de «terra da letra» pelo que se promete e não se faz, viu o progresso chegar-lhe. Deixou a candeia a azeite, o gasómetro, lamparina, candeeiro a petróleo e a vela, e passou a usar o último grito da iluminação: a energia eléctrica. 

Num terreno por de trás da Igreja Matriz foi construida uma cabine transformadora, que fornecia energia eléctrica, não só a Fiães como, segundo se pode ler no livro do Padre Sá, «Santa Maria de Fiães, da Terra da Feira», a São Jorge, parte de Lobão, Sanguedo e Lourosa — esta, anos depois (1939), já dispunha, também de cabine própria.

A chegada da luz eléctrica a Fiães, em 11 de julho de 1931, deveu-se, em grande parte, ao Dr. Mário de Castro, que não sendo natural da terra (nasceu em Fermedo, Arouca) cedo se radicou na freguesia, de que foi grande benemérito, e constituiu, juntamente com Elisio Ferreira da Silva, o médico dos pobres, ou médico labrador, como lhe chamavam os fianenses, e Manuel Bastos, os «doutores da terra».

Mas, ainda antes do inicio da década de 40, o progresso de Fiães era mais que visível, como o demonstra, não só a chegada da luz eléctrica, como em 1932, a chegada do telefone.

Uns anos mais tarde chegou, também, à «terra da letra» a caixa do correio, que ditou «grandes guerras» entre a Roça (parte sul da freguesia) e a Cidade (parte norte), divididas pelo rêgo da corga, ou «paralelo 38,  numa alusão à linha divisória entre as Coreias.

Quase nove décadas passadas, a luz da noite é uma realidade, hoje distribuída através de «autênticas ramadas» (foto), que penduradas em postes de madeira, expressam fielmente a evolução desta terra, outrora considerada um exemplo de progresso, hoje, comparada com outras antes muito menos poderosas, um exemplo de retrocesso.

Sinais dos tempos…  

Iniciou (1960) a vida no jornalismo como colaborador do Correio da Feira. Passou, depois, pelo Mundo Desportivo, e durante anos trabalhou para o Norte Desportivo e O Primeiro de Janeiro. Foi, ainda, colaborador do jornal Público (seis anos) e Jornal A BOLA (40 anos), agências noticiosas, ANOP, Noticias de Portugal e LUSA. Foi co-fundador, e seu primeiro diretor, do Terras da Feira, diretor do Noticias de Paços de Brandão e do Comércio da Feira.
Carlos Fontes
Jornalista