Opinião: Atletas em confinamento

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Opinião: Atletas em confinamento

Quando nada fazia prever, os holofotes apagaram-se, as bancadas ficaram despidas, as portas dos balneários trancadas…os atletas mandados para casa.

Impunha a Covid um recolher obrigatório, um interregno nas nossas vidas, um intervalo no desporto.

Todos sabemos que o confinamento travou a prática desportiva, quer dos níveis de formação, quer de competição, salvo algumas excepções. No entanto do universo do desporto a maioria dos atletas estão impedidos de fazerem aquilo que mais gostam. De atletas profissionais e atletas amadores o problema é transversal.

Para além de todas as consequências inerentes à paragem do desporto quer a nível económico e financeiro existe a questão social. Agravaram-se os problemas de saúde mental dos atletas. Os seus níveis de stress aumentaram e o seu estado emocional alterou-se. A impossibilidade da prática desportiva traduz-se em tristeza, ansiedade, medo e frustração.

A perda de contacto social e em muitos casos a perda de contacto com os clubes fomenta o romper do compromisso por parte dos atletas agudizando o seu estado emocional. Por consequência a resiliência vacila e a depressão poderá estar ao virar da esquina.

Por outro lado, o contexto desportivo sempre colocou os seus intervenientes fora da sua zona de conforto e em situações de desafio e em permanente adaptação. A competição contra o vírus é uma realidade, pode ser morosa, mas deverá ser encarada seguramente como uma oportunidade para os atletas revelarem e/ou avaliarem as suas competências e capacidade de superação. Perante este cenário é importante que os atletas não percam o foco e reflitam sobre os motivos que os conduziram ao desporto, que transformem o isolamento numa oportunidade para treinar competências psicológicas e de suporte social muitas vezes determinantes na prática, para atingir o sucesso. É aconselhável que mantenham uma rotina diária regulada com timings bem definidos para o descanso, alimentação, exercício físico (mesmo que em casa), que mantenham os seus contactos ainda que de forma virtual com os seus familiares, amigos, colegas de equipa e treinadores. Este pode ser um bom período para restabelecer aproximação (ainda que de modo virtual) com aquele familiar ou amigo com quem não comunicam há algum tempo. O intervalo forçado poderá ser um bom período para reflectir e analisar performances e redefinir ou traçar objectivos a curto e longo prazo, objectivos estes que devem ser específicos, mensuráveis, atingíveis, realísticos e delimitados no tempo. Este exercício é crucial para regular a motivação a autoconfiança e controlar a ansiedade e as fontes de stress. Atletas adultos estarão munidos de maior capacidade para suportar este período menos positivo contudo não invalida que recorram ao apoio de um psicólogo se o seu estado emocional estiver fora de controlo. No caso dos jovens atletas é importante que os pais monitorizem o comportamento dos seus filhos, observando de perto as suas atitudes e posturas bem como os seus sentimentos.

Esta é uma travessia árdua e que requer bastante resiliência. Ao fundo do túnel parece não haver qualquer luz o que pode conduzir o atleta ao abandono da sua carreira. É fundamental que se conheça muito bem, que tenha consciência dos seus pontos fracos e dos seus pontos fortes para não de desprender do objectivo final que o move.

Natural de Santa Maria de Lamas, Licenciado e Mestre em Psicologia Social e das Organizações pela Univ. Lusófona de Lisboa. Gestor, escritor, formador e desportista. Apaixonado pela sua terra e com orgulho na sua identidade é voz ativa na comunidade local.

Manuel Pinto
Gestor
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