PSD apresenta Emídio Sousa como recandidato às autárquicas, mas não lhe pede opinião sobre o assunto

PSD apresenta Emídio Sousa como recandidato às autárquicas, mas não lhe pede opinião sobre o assunto

Candidato sente-se “honrado”, mas acredita que “este é um modelo de comunicação errado”

▌Foto: Diário da Feira

José Silvano, secretário-geral do PSD, apresentou uma lista de 100 nomes escolhidos pelo PSD para concorrer nas próximas eleições autárquicas – entre eles está Emídio Sousa – o único problema foi que o partido laranja não pediu feedback aos candidatos

São cerca de 100 candidatos apoiados pelo PSD – 23 novidades e 77 recandidatos; Emídio Sousa foi um dos que o PSD reconhece valor para recandidatura.

No partido são vários os recandidatos que vocalizam o desconforto pelo ‘modus operandi’ da atual direção para estas escolhas. Uma das vozes mais gritantes do próprio vice-presidente do PSD de Rui Rio – Salvador Malheiro. 

O líder da Câmara de Ovar deixou no Facebook o agradecimento pela “confiança e a deferência” do seu partido”, mas acrescentou: “contudo quero esclarecer que continuo presidente da Câmara Municipal de Ovar e no seu devido tempo decidirei se sou ou não recandidato para mais um mandato”.

Por cá Emídio Sousa afirmou que se sente “honrado” pela escolha do PSD, mas acredita que “este é um modelo de comunicação errado” – esclareceu ao jornal Polígrafo.

O líder dos laranjas feirenses não esconde a honra “por o PSD já ter autorizado a minha eventual recandidatura”, mas deixa a alfinetada: esta decisão “chegou antes (do partido) saber a minha opinião”.

A recandidatura “representa um voto de confiança prévia no meu trabalho”, explica Emídio Sousa, “mas sou da opinião de que este é um modelo de comunicação errado”, explicou ao mesmo órgão de noticioso.

O recandidato é veterano no combate político por isso expressa preocupação com os ‘standards’ usados pelo PSD para comunicação interna e explica que este “prejudica o planeamento dos candidatos e desvaloriza o papel das estruturas locais e distritais”.

O partido de Rio responde aos desabafos e afirma que só é candidato quem quiser – o que faz da conferência de apresentação pública de 3 de março uma futilidade – pois para se excluírem os nomeados apenas têm de dizer que não desejam a recandidatura.

Recorde-se que entre a liderança atual do partido (Rui Rio) e Emídio Sousa já se conhecem diferenças de opinião, nomeadamente nas eleições de 2017 e 2020 para a liderança do PSD, em que o atual edil de Santa Maria da Feira escolheu o lado da oposição. 

Também não é a primeira vez que da direção do partido emana um estilo unilateral em termos de escolhas: em 2019 as listas de deputados às eleições legislativas aprovadas pelo conselho nacional do PSD foram alvo de polémica (pode reler aqui o artigo do Jornal Público) – escolhas que na altura deram lugar à exclusão do santamariano Amadeu Albergaria das listas para as legislativas (recorde aqui.)

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