Opinião: E as autárquicas? CDS?​

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Opinião: E as autárquicas? CDS?

Eleições autárquicas previstas para outubro, com alguns partidos a pretender uma mudança de data para que ocorra o seu adiamento.

Desde logo sou contra a posição do adiamento das eleições visto que, num país democrático, é normal que os mandatos sejam cumpridos sem extensões injustificadas, para que possa ocorrer um momento de reflexão da população a favor da manutenção ou da mudança de representantes.

E neste sentido o Covid não pode justificar tudo, nem o justifica! Se ocorreram eleições presidenciais, também podem e devem ocorrer eleições autárquicas na data prevista.

Naturalmente que, em função da circunstância atual e prevista para a data, deve ser disponibilizado a toda a população o acesso ao voto antecipado e alargado o número de locais de voto onde este, e o voto no dia das eleições, possa ser executado com toda a segurança.

Passando ao panorama das eleições, constato que vários partidos, nomeadamente o PS e PSD, já começam a dar a conhecer os seus candidatos nos órgãos de comunicação social. Por exemplo, o PS já anunciou que o seu candidato à câmara municipal de Santa Maria da Feira será Márcio Correia.

Outros partidos anunciam convenções para os candidatos melhorarem a sua apresentação e receberem formação para a prática de um mandato autárquico, tal como André Ventura decidiu, e bem, fazer no Chega, para também uniformizar a mensagem do partido. Um anúncio deste género é um claro indicador que já existem candidatos pensados ou definidos para os lugares de candidatura.

Pelo contrário, o CDS segue em rumo indefinido. Após um período conturbado pela agitação interna, onde Francisco Rodrigues dos Santos recebe um voto de confiança, mas ocorrem várias saídas da comissão política nacional e demissões em comissões políticas locais, o CDS continua sem um programa autárquico partilhado com os seus militantes e continua sem candidatos revelados ao público.

A minha experiência pessoal dentro do CDS dita que os candidatos vão sendo escolhidos de uma forma que eu considero ser tardia, a poucos meses das eleições, pelo que acredito que o melhor para o partido seria tentar se aproximar daquilo que os maiores partidos nacionais fazem, ou seja iniciar a apresentação dos seus candidatos de forma individual já em fevereiro.

Aliás, uma sugestão que eu já havia feito no CDS, passava exatamente por definir uma data lógica de início de apresentações de candidatos, como início de março, e a partir de então apresentar candidatos de uma forma regular e sistemática, por exemplo um por semana ou de dois em dois dias, com vista a manter o partido nos meios de comunicação social e na opinião pública consistentemente.

Apresentar candidatos não implica ser necessariamente nos principais meios de comunicação social, pode e deve ser igualmente realizado nos meios de comunicação local. Além de que, considero que é igualmente importante apresentar no mínimo os restantes cabeça de lista da candidatura, ou seja, resumir a apresentação da candidatura a três ou cinco dos cabeças de lista, ao invés da tradição de resumir apenas ao candidato efetivo. Isto, pois, a ocupação de cargos, no caso vitorioso, é realizada por vários membros da lista candidata e não apenas por parte do seu número um.

Assim, fica em indefinição quem escolhe os candidatos do CDS para as próximas eleições autárquicas, contudo começa a surgir uma imagem de que são as concelhias quem toma decisão individualmente, faltando uma parte comum para fazer a junção nacional e passar uma mensagem unida da vontade do partido nacionalmente.

Professor de Geografia no Colégio Nossa Senhora da Bonança e Professor de Geografia no Colégio Nossa Senhora da Esperança
Diogo Fernandes Sousa
Professor
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