Opinião: Presidenciais 2021

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Opinião: Presidenciais 2021

Após apuramento da totalidade dos resultados das eleições presidenciais 2021, podemos tirar algumas ilações dos resultados obtidos pelos candidatos, principalmente naquilo que toca a certos partidos políticos do panorama eleitoral português.

Marcelo Rebelo de Sousa alcançou uma vitória esmagadora, sendo esta ainda mais significativa pelo facto de Marcelo praticamente não ter realizado campanha e ter prescindido do espaço eleitoral correspondente à sua candidatura nos meios de comunicação.

Ana Gomes conseguiu uma representação superior a meio milhão de portugueses, tornando-se a candidata (feminina) à presidência da república com maior votação de sempre, contudo deixou a desejar pelo facto de não ter alcançado maior competitividade para com Marcelo Rebelo de Sousa.

André Ventura teve um resultado muito positivo para o partido Chega, aproximando-se de uma representação de quase meio milhão de portugueses, ilustrando uma evolução significativa do partido Chega num período temporal relativamente reduzido, e tornando-se atrativo para uma ainda maior camada da população portuguesa que o pode assumir, em função destas eleições, como um verdadeiro candidato a primeiro-ministro. 

Aliás, o Chega e Ventura, acabam por ser os verdadeiros vencedores da eleição, pois foram, sem dúvida, os mais criticados pela opinião pública e deram a resposta onde ela havia de ser dada, no resultado eleitoral.

João Ferreira e Marisa Matias foram os grandes derrotados da noite eleitoral, facto revelador da saturação dos portugueses face aos partidos PCP e BE, que consistentemente apresentam os mesmos candidatos e as mesmas ideias, ou seja, não contribuem com revigoração para o sistema político português.

Tiago Mayan obteve um bom resultado e traduz a ideia de que a IL está presente no panorama político português para o médio/longo prazo, apresentando uma evolução constante e positiva da IL.

Por fim, Vitorino Silva fez aquilo que já nos havia habituado, procurando passar alguns problemas nacionais e obtendo um resultado modesto, tal como aconteceu há 5 anos.

Progredindo para a visão partidária, observam-se vários partidos a gritar vitória, contudo na realidade podemos, na minha opinião, assumir esses mesmos partidos como derrotados da noite eleitoral.

Por um lado, temos o PSD, partido de Marcelo Rebelo de Sousa, que na realidade não apresentou nenhum candidato, pois Marcelo avançou de forma independente. Um PSD murcho, apagado. Supostamente o maior partido da oposição ao governo, mas que, na prática, parece quase nem existir. 

Por outro lado, temos o PS, partido de Ana Gomes, que também não apresentou candidato, mas supostamente apoiou, à semelhança do PSD, a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Um PS que partidariamente se encontra aparentemente apagado, e que apresenta um governo desastroso em vários ministérios, desde logo na saúde e na educação.

Temos o caso do BE e PCP que, como mencionei anteriormente, foram os grandes derrotados das presidenciais 2021, pois apoiaram publicamente, na teoria e, na prática, um candidato militante do partido, e obtiveram resultados desastrosos. Também, a situação do CDS e do PAN, que apoiaram candidaturas de personalidades não integradas nos seus partidos, sendo que no caso do CDS procurou-se capitalizar uma vitória, apesar de nada se ter feito para isso, e na realidade há um quase esquecimento deste histórico partido, enquanto na posição do PAN houve uma vitória, contudo também desligada da realidade prática, tendo ocorrido uma campanha, em prol de Ana Gomes, sobretudo nas redes sociais.

Por fim, os vencedores da noite, Chega e IL, com candidaturas e campanhas próprias e bons resultados eleitorais, em particular o do Chega que, num certo modo, se assume como a terceira força política a nível nacional.

Em suma, há um verdadeiro vencedor da noite eleitoral, por muito que a opinião pública não o queira admitir, e há dois grandes derrotados que, na minha opinião, foram penalizados pela sua assistência a um governo desastroso do PS. A nova grande questão que se impõe: teremos agora a demissão do executivo e a convocatória de legislativas antecipadas?

 
Professor de Geografia no Colégio Nossa Senhora da Bonança e Professor de Geografia no Colégio Nossa Senhora da Esperança
Diogo Fernandes Sousa
Professor
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