Opinião: Racismo

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Opinião: Racismo

A Disney acaba de lançar um filme (Soul) cuja personagem principal é um indivíduo negro. Nada de anormal pelo contrário. Anormal talvez seja o excessivo destaque desta mesma questão e o alarido que já se faz sentir porque a dobragem do filme no nosso país não foi feita por atores negros.

Segundo a revista Sábado Marco Mendonça e Mamadou Ba já fizeram ouvir. Curiosamente o último é ator principal num palco que honestamente parece apenas do próprio.

Marco Mendonça refere e cito “Isto é uma história de negros, fala-se de uma cultura musical negra e de uma comunidade negra. É óbvio para mim que tinha de ser contada por negros”.

Óbvio porquê pergunto eu? Então um branco também não pode contar uma história de negros?! Assim poderei dizer que é racismo. Sendo eu branco também quero ter oportunidade de participar na cultura negra. E já agora porque lhe chama cultura negra? Não será segregação?

Por outro lado, Mamadou Ba na sua prática habitual de Vodu espeta mais um alfinete. Vem resumir esta questão comparando-a ao black face do séc XIX nos EUA, sim é isso século XIX!

O que é o racismo afinal? Segundo a literatura o racismo consiste num preconceito e na discriminação fundamentada em diferenças biológicas entre Homens. Por exemplo, a cor.

Sabemos que o Homem ao longo da história por completa ignorância marginalizou, descriminou e segregou os negros, contudo também o fez com brancos, ciganos, árabes e asiáticos.

Se analisarmos concretamente o comportamento racista do ser humano este não é um problema exclusivamente do homem negro, é um problema do Homem em geral, é transversal!

O racismo é alimentado a ignorância a falta de cultura e a falta de formação (entenda-se formação cívica e não meramente académica).

Quantos homens e mulheres negros, brancos, amarelos, ou seja qual for a sua cor são discriminados diariamente?! Acredito que muitos! 

Não consigo entender é a constante vitimização de alguns negros. Sinceramente acho até que essa vitimização é uma atitude auto-racista. Rosa Parks, Mandela, Luther King entre outros combateram atos racistas eliminando a ignorância dos povos, ombreando e inserindo-se.

Nunca se segregaram, nunca baixaram os braços, nunca se sentiram inferiores, não foram racistas. Abriram caminho para o equilíbrio, equilíbrio esse que a natureza fez nascer e que o Homem fez questão de desnivelar.

Todos sabemos que a história grava episódios onde o Homem branco se fez superior ao Homem negro, mas vamos ficar agarrados ao pior da humanidade?

Terá o povo alemão que ficar rotulado para a eternidade como racista, xenófobo, antissemita?!

Terão os católicos que viver com o peso das atrocidades cometidas há quase mil anos aos muçulmanos e vice-versa?!

O Homem deverá caminhar no sentido da humanização em que um são todos e todos são um. As diferenças físicas e culturais são uma realidade vivemos e morremos com elas, mas como homens que somos devemos procurar a simbiose. Dessa forma talvez este conceito se dilua entre os Homens.

 
Natural de Santa Maria de Lamas, Licenciado e Mestre em Psicologia Social e das Organizações pela Univ. Lusófona de Lisboa. Gestor, escritor, formador e desportista. Apaixonado pela sua terra e com orgulho na sua identidade é voz ativa na comunidade local.

Manuel Pinto
Gestor
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