Opinião: As presidenciais​

Opinião: As presidenciais

As próximas eleições em Portugal são as eleições presidenciais que vão decorrer em janeiro de 2021. Com o anúncio da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, estão conhecidos os candidatos. 

Na última sondagem conhecida, Marcelo continua com larga vantagem e com a vitória garantida na primeira volta, aparecendo agora no segundo lugar Ana Gomes. 

Nas sondagens o candidato do PCP surge com 2,5%, acima do candidato da Iniciativa Liberal. Portugal deve ser um dos poucos países do mundo ocidental, onde um candidato de um partido comunista fica à frente de um candidato de um partido liberal, o que é em si um dado revelador. 

Em relação a Ana Gomes, a socialista aparece sempre muito ligada à temática da corrupção. Nunca conseguiu acabar ou alguma vez sequer denunciá-la dentro do seu partido, mas muitos acreditam que ela vai acabar, ou de alguma forma diminuir, a corrupção em Portugal. 

É preciso alguma força de vontade para ter semelhante fé. Já se sabia praticamente tudo relativamente a José Sócrates e Ana Gomes dizia “há uma campanha de ataque pessoal a Sócrates” ou “sinto mais admiração por José Sócrates”. Ana Gomes demorou imenso tempo a romper com o legado Socrático e só o fez quando José Sócrates estava no chão.

 Para além disto, convenhamos, Ana Gomes convive há décadas no seio do PS e com tudo o que isso implica. Não foi só Sócrates, foi Armando Vara, Mesquita Machado, todo o nepotismo que por lá existe, ajustes diretos, fundações, enfim. Tão grave quanto isto, a meu ver, foram as declarações de Ana Gomes aquando do atentado horroroso contra o Charlie Hebdo que resultou em inúmeras vítimas mortais. 

Na altura, Ana Gomes escreveu duas coisas bastante graves no seu twitter pessoal sobre o ataque. Primeiro escreveu que não se devia “ofender o Profeta, pois ofende-se os Muçulmanos”.

Fosse uma ofensa à Igreja Católica ou ao Cristianismo, certamente Ana Gomes não se importava minimamente. Mas o pior foi mesmo a forma como Ana Gomes legitimou daquela maneira, um ataque extremamente violento, contra a liberdade de expressão, ainda por cima contra uma revista satírica que não deve conhecer limites na sua liberdade de expressão. Se isto já não era mau o suficiente, Ana Gomes consegue soltar outro ‘tweet’ ainda pior. Escreveu que o atentado contra o Charlie Hebdo foi o resultado do “desemprego” da “xenofobia” ou da “austeridade”. 

Em nenhum momento conseguiu culpar o fanatismo religioso pelo ataque, mas foi capaz de fazer um exercício de contorção intelectual e basicamente culpar o capitalismo pelo ataque mortal ao Charlie Hebdo. Se já tínhamos um populismo inoperante, nomeadamente o de Marcelo Rebelo de Sousa, agora temos o populismo hiperativo e profundamente errático de Ana Gomes.

 Depois temos Marisa Matias. O Bloco de Esquerda é o partido que mais apregoa diversidade e pluralidade, no entanto, em 2009 Marisa Matias foi candidata ao Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda.

Em 2014 Marisa Matias foi candidata ao Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda. 

Em 2016 Marisa Matias foi candidata a Presidente da República pelo Bloco de Esquerda. 

Em 2019 Marisa Matias foi candidata ao Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda.

Em 2020, apenas alguns meses após ser eleita para o Parlamento Europeu, Marisa Matias é novamente candidata a Presidente da República pelo Bloco de Esquerda. 

Considerarmos isto normal, também é revelador. 

De André Ventura já muito se fala e vou evitar ser eu a dar-lhe mais protagonismo. É isso que ele procura nesta eleição, tempo de antena para fazer o Chega crescer e sinceramente, essa é uma atitude que significa alguma falta de respeito para com a eleição em si. 

Para a eleição do cargo mais importante do país, André Ventura aproveita para fazer tática política. Espero que o Tiago Mayan da Iniciativa Liberal consiga passar a mensagem, pois no meio de tanto populismo, faz falta ter alguém que seja ponderado e com ideias certas.

Licenciado em enfermagem, enfermeiro no Hospital São João no Porto.

Enfermeiro formador em diversas instituições.

Cristiano Santos | Iniciativa Liberal
Enfermeiro