Opinião: “Não votem na geringonça”

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Opinião: "Não votem na geringonça"

Assistimos por estes dias, a mais um episódio caricato que envolveu o nosso Presidente da República.

O nosso Presidente foi interpelado por uma popular que o questionou sobre o estado do nosso país. Num tom algo agressivo, a senhora fez algumas questões e a resposta que recebeu foi: o governo ganhou as eleições, portanto convença os portugueses a votar noutro. Parece-me um bom conselho. Se Marcelo tem a popularidade que tem, talvez fosse uma boa altura para o povo português o ouvir, dado que na minha opinião, foi das coisas mais acertadas que disse durante o mandato. 

Foi este o ponto que me chamou verdadeiramente a atenção. Desde que acompanho a atividade do comentador Marcelo e do “político” Marcelo, sempre tive a mesma opinião, é um homem “nim”, com uma elasticidade que lhe permite falar sobre tudo sem nunca ferir suscetibilidades e amizades. Esta atitude parece ter-lhe garantido o apoio de PS e PSD nas próximas eleições, facilitando o seu caminho para mais uma eleição.

 

Contudo, o facto de esta popular se ter dirigido a Marcelo não é aleatório. Marcelo, como já disse, foi eleito e tem responsabilidades. Todos sabemos que não é o Presidente quem governa, mas Marcelo sujeita-se a isso, com o seu comportamento perante a população e a comunicação social onde por exemplo, são frequentes as entrevistas dadas em trajes menores, a falar de assuntos sem nenhum interesse para Portugal.

O mandato de Marcelo foi rico em desgraças. Tivemos, por exemplo, Pedrogão, Tancos, e agora uma pandemia. Em cada uma destas situações o Presidente apareceu a pedir responsabilidades, fazer alertas, fez questão de dizer “presente”, mas rapidamente deixa morrer o tema, sem qualquer consequência.

No que diz respeito a Pedrógão o nosso Presidente veio agora, três anos depois, alertar que a justiça é lenta mas que neste caso, há muito material. Veja-se, o Presidente dá-se ao trabalho de tentar justificar a lentidão da nossa justiça, um dos maiores males da nossa República, ainda para mais, num caso como o de Pedrógão.

O caso de Tancos, é trágico e de uma enorme gravidade. Temos um ministro que eventualmente encena uma recuperação de armas depois de um roubo gigantesco (de armas de guerra, diga-se), e um Presidente acusado de saber de tudo. E o que diz Marcelo? O Presidente não é criminoso. O assunto logo morreu ali.

Ao longo do mandato foi um Presidente sem destino nem visão. Alimenta-se do seu ego e desde que a sua popularidade esteja em alta, está tudo bem. Por isso é mais um actor, secundário ou mesmo figurante, da nossa República.

A sua eleição por mais cinco anos, será mais do mesmo. Selfies, palavras amigas mas inconsequentes e inoperância. Será que queremos mais cinco anos de Marcelo?

Advogado, militante da Iniciativa Liberal, do Núcleo de Santa Maria da Feira.
Nuno Costeira
Advogado