“Um chá e meia torrada por favor”: lei para discotecas ridicularizada pelo setor

“Um chá e meia torrada por favor”: lei para discotecas ridicularizada pelo setor

Nova lei pretenderá abrir os espaços até às 20h00 com regras equiparadas a pastelarias e cafés

▌Foto: Arquivo / PD

Já pensou em beber uma meia de leite numa discoteca? A nova lei para bares e discotecas quer equiparar este ramo do setor hoteleiro às pastelarias e cafés. 

A notícia chegou pelo jornal Público: tudo indica que uma nova legislação será aprovada em Conselho de Ministros esta quinta-feira para autorizar bares e discotecas a abrir. 

No entanto, esta notícia não é o que alguns proprietários de bares e discotecas pretendem – o problema está nas novas regras em que estes espaços serão equiparados a cafés, pastelarias e casas de chá. 

Regras estas que deverão proibir o usufruto dos espaços de dança e de “convívio próximo”; a cereja no topo do bolo é o horário, com a possibilidade de bares e discotecas a ter de encerrar às 20h00 – comparado com os restaurantes que deverão poder manter serviço até às 24h00.

“Não faz sentido”, afirma Miguel Correia proprietário do mítico 4everclub, uma discoteca com 16 anos de existência no concelho de Santa Maria da Feira.

Para o proprietário esta proposta “só pode ser uma brincadeira”, o administrador não tem fé nesta sugestão de reabertura e apresenta duas razões para considerar esta proposta “ridícula”:

Em primeiro lugar “temos consciência que somos um foco de contágio e propagação”, diz ao lembrar que “este setor foi o primeiro a fechar, por iniciativa própria” quando se deram os primeiros sinais de pandemia.

Depois Miguel Correia vai mais longe e diz mesmo que o setor “não quer abrir os espaços de animação noturna” e explica: “se abrirmos agora, vamos abrir para quem? Para servir chá e torradas com um DJ na cabine?”

A solução, para Miguel Correia, é unânime no seio Associação de Discotecas de Portugal (ADP) e associação de bares do Porto – o Estado “deve e tem que apoiar o setor até a pandemia estar normalizada, e criarmos todas as condições para que os clientes tenham confiança em frequentar novamente estes espaços.”

E dá o exemplo a Catalunha que abriu o setor para imediatamente ter de o fechar de seguida.

“São milhares de empregos que, direta e indiretamente, estão em causa” lembra o empresário.

O proprietário do 4everclub deixou ainda o aviso que se esta lei for avante a contestação destas associações vai subir de tom, com direito “a manifestação em massa” na capital.

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