Visionarium despede-se da Feira: espaço reduzido e renda elevada deslocam sonho

Visionarium despede-se da Feira: espaço  reduzido e renda elevada deslocam sonho

Acordo para nova localização “vai ser colocado no papel muito em breve”

▌Nuno Moutinho grante não terem ficado ressentimentos após a quebra de acordo | Foto: DR

Em comunicado, a CDU Feira avançou que “a marca Visionarium não permanecerá ligada a Santa Maria da Feira”. Quando confrontado pelo DF, Nuno Moutinho, uma das mentes por detrás da renovação da marca Visionarium confirmou a mudança de concelho.

Nuno Moutinho, diretor-geral da escolaglobal, é um dos mentores do Visionarium “2.0” – com o fim das negociações para um espaço dentro do Europarque o administrador quebrou o silêncio e garante que não guarda ressentimento para com o Município ou o Feira Viva.

Este resultado nas negociações significa que o Visionarium vai deixar de ser Feirense e para trás fica a história de um projeto pioneiro na forma como se aborda o ensino de ciência em Portugal. 

Recorde-se que, durante os seus vinte anos de funcionamento em território feirense, o projeto Visionarium contou com cerca um milhão de visitantes.

Diário da Feira: Confirma que houve acordo com a Câmara Municipal em 2019 para manter o Visionarium no Europarque?

Nuno Moutinho: Houve um acordo informal definido em abril que definiu espaços a utilizar no Europarque e o valor de renda a pagar.

O espólio do Visionarium ainda está no Europarque?

Na sequência desse acordo verbal e para começarmos a trabalhar, uma pequena parte do espólio foi levado em julho para o Europarque. Continua lá, apenas pela situação da pandemia, mas vai ser retirado o mais rapidamente possível.

Na sua ótica, como é que o acordo foi rompido?

O Conselho de Administração do Feira Viva apresentou em janeiro uma proposta formal que reduzia de forma muito substancial o espaço a utilizar no Europarque e impunha novas condições financeiras. Não aceitámos a proposta.

Não foi o Visionarium a exigir contrapartidas à Câmara Municipal?

Nós nunca pedimos nada à Câmara, apenas negociámos a renda e o espaço a utilizar.

Ficou com algum ressentimento contra a Câmara Municipal ou a Feira Viva?

Nenhum. Cada entidade fez o que achava melhor. Em janeiro, foi-nos dito que o contexto mudou e aceitámos isso. Mas o espaço que nos foi proposto era demasiado reduzido para a nossa atividade e a renda a pagar demasiado elevada para uma associação sem fins lucrativos que ia dar os primeiros passos.

Pensa que esta situação vai afetar o projeto da escolaglobal em Santa Maria da Feira e o relacionamento com a Câmara Municipal?

Em nada. Continuamos parceiros da Feira Viva e acreditamos no trabalho que está a ser desenvolvido pelo executivo camarário. Vamos continuar a investir no concelho. 

Aliás, acabámos de comprar o terreno contíguo ao Edifício Avó Aninhas no Europarque, incentivados pelo Presidente da Câmara. Penso que da parte da Aventuresca, o sentimento é o mesmo: aliás também recentemente a Aventuresca instalou no Zoo de Lourosa um equipamento de arvorismo, numa parceria com a Feira Viva.

Há algum acordo para o Visionarium se instalar noutro município?

Existe um acordo informal que vai ser colocado no papel muito em breve. Enquanto não estiver formalmente celebrado, nada mais iremos revelar.

O Visionarium

Criado em 1998, foi dos primeiro centros de ciência com experiências feitas pelo público. 

Recebeu quase um milhão de visitantes durante os seus 20 anos de atividade.

Após o encerramento, duas companhias privadas (Aventuresca e Escola Global) compraram este equipamento – que acabaram por doar à Associação Visionarium.

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