Opinião: A TAP como ativo estratégico

Opinião: A TAP como ativo estratégico

Sobre a TAP, entendo ser pertinente referir que considero que a gestão privada da empresa tem sido boa. Só não vê quem não quer. Todos nos lembramos dos problemas crónicos da empresa, dos conflitos laborais quase permanentes e até das peças dos aviões a cair. Gestores nomeados por filiação partidária e cuja incompetência se revelava nos resultados da empresa, com grandes prejuízos e permanentes injeções de dinheiros públicos que normalmente passavam em cada orçamento de Estado como inevitabilidades.

A atual gestão privada, apesar dos seus dois anos de prejuízos, renovou e aumentou a frota, abriu novas rotas, aumentou os postos de trabalho e conseguiu paz social. Teve dois anos de prejuízos? Estão mais do que justificados e não fosse a pandemia o futuro era muito promissor.

Todos percebemos o embuste que o Governo do Partido Socialista nos impingiu quando há 4 anos, com pompa e circunstância, nos disseram que o Estado era novamente maioritário na empresa.

Parece que o processo serviu apenas para colocar alguns elementos de clãs familiares nalguns cargos bem remunerados (e de utilidade duvidosa) e alguns dos amigos do costume no Conselho de Administração, que, sabe-se agora, afinal não mandavam nada (e talvez seja melhor assim).

No processo de retoma das atividades a TAP cometeu um gravíssimo erro. Um erro tão grave que chega a parecer propositado (não acredito em bruxas, mas…).

Menorizou o Porto e o Norte de Portugal.

Reduzir os voos da nossa companhia aérea nacional a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro, a mais moderna infraestrutura aeroportuária de Portugal, que já movimenta mais de 12 milhões de passageiros por ano não lembra ao diabo.

Se esta situação seria, em qualquer momento, um enorme e injustificado erro estratégico, pior se torna num momento em que a empresa precisa de apoios públicos.

 Que todos os portugueses vão pagar com os seus impostos. 

Todos já percebemos que a TAP é um ativo estratégico nacional.

Todos os países estão a tentar encontrar formas de apoiar as respetivas companhias aéreas neste momento crítico provocado pela pandemia. Portugal deve fazer o mesmo.

É também neste contexto que surge a ideia peregrina de nacionalizar a TAP. Para quê? Empregar amigos?

Entendo que é o momento de apoiar financeiramente a empresa e acertar aspetos da gestão que não foram acautelados, designadamente negócios com empresas dos privados que a gerem, como é o caso da companhia aérea Azul de David Neelman, quando e em que circunstâncias devem ser premiados os gestores face aos resultados, que rotas devem assegurar obrigatoriamente, etc.

 

 

A TAP estava no bom caminho e deve retomá-lo. A criação e proteção das companhias aéreas europeias é estratégico para a Europa nos novos tempos. Parcerias europeias neste setor para enfrentar os desafios globais devem estar em cima da mesa. 

O que a Alemanha está a fazer com a Lufthansa é um bom exemplo.

Aproveitar o nosso posicionamento e conhecimento estratégico do mundo, em especial com África e América do Sul, é um ativo nacional e europeu que tem que ser aproveitado e potenciado. Haja políticos à altura do desafio.

Não pode é a TAP tratar o país com uma visão tão míope como a que demonstrou nesta retoma de atividades em relação ao Porto e ao Norte de Portugal. Não perceber que o eixo Braga/Porto/Aveiro é a grande zona produtora de bens transacionáveis para o mundo, responsável pela maior fatia de exportações, que compete ao nível global em várias frentes e que é isso que torna Portugal viável, é não perceber nem compreender o Portugal das fábricas, dos trabalhadores, dos emigrantes e do turismo. Este Portugal é o Portugal dos descobrimentos, das relações internacionais, da presença no mundo. 

Gestor Público; Secretário Geral na Empresa Águas de Gaia, EM (Até 2005); Vice-Presidente e Vereador na Câmara Municipal de santa Maria da Feira - Portugal (Desde Novembro de 2005 até Outubro de 2013); Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira - Portugal (desde Outubro de 2013 até ao presente)
Emídio Sousa
Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira

Os artigos de Opinião são da responsabilidade dos autores e não refletem a linha editorial do Diário da Feira

One Thought to “Opinião: A TAP como ativo estratégico”

  1. Vitor Santos

    tem piada Emidio a escrever sobre os “amigalhaços!”. Até parece que nem meteu nenhum na câmara! Foram aos magotes a entrar… alguns deles claramente incompententes! (competentes apenas só para segurar na bandeira do partido. claro está!)

Comments are closed.