Rubrica | Saúde Mental em Crise Pandémica: Pais e encarregados de educação

Rubrica | Saúde Mental em Crise Pandémica: Pais e encarregados de educação

As aulas por videoconferência e a telescola ajudam a proteger os nossos filhos, evitando a sua exposição a situações de risco acrescido, mas trouxe-nos muitas outras questões para as quais não estávamos preparados. Tornou-se difícil conciliar o trabalho com os horários de estudo, por vezes não temos conhecimentos suficientes para podermos esclarecer dúvidas e, a frustração é inevitável. Seguem-se algumas dicas para melhorar a situação.

    1 – Organize uma rotina

Esta rotina deve compreender estudo e lazer. Um horário semanal deve ser definido juntamente com a criança ou adolescente numa perspetiva de responsabilização e incentivo e, deve incluir horários de estudo, sono, refeições, tempos-livres e tarefas. O fim-de-semana deve ser dedicado especialmente ao relaxamento e atividades de lazer. A realização dos trabalhos da escola deve compreender pequenos intervalos, podendo o horário ser ajustado sempre que necessário em função da quantidade de tarefas escolares. Promova hábitos saudáveis como uma boa alimentação e exercício físico regular.

    2 – Acompanhe o Estudo

Procure, acima de tudo, manter as tarefas escolares o mais autónomas possível, estabelecendo expectativas congruentes com a realidade e elogie sempre pequenas conquistas. Aceite que nem sempre conseguirá cumprir todas as exigências impostas. O seu dever é apenas de orientar o seu educando e motivá-lo, e não de desempenhar o papel do professor. Concilie as tarefas dele com as suas obrigações e, procure certificar-se que os conteúdos foram aprendidos. O contacto com o(s) professor(es) é fundamental podendo receber orientações, pedir ajuda e negociar prazos, caso necessário. Se possível diferencie a zona de estudo da zona de lazer.

    3 – Promova a interação social

Dado o distanciamento social, importa cultivar a interação social no seio familiar. Planeie atividades que possam ser feitas em família e que requeiram a envolvência de todos, por exemplo a visualização de um filme ou um jogo de tabuleiro, ou até simples tarefas domésticas. As redes sociais são fundamentais para que não se perca o contacto com os amigos e o sentido de comunidade. Contudo, deve certificar-se que estas são utilizadas de forma correta, tentando perceber que redes são utilizadas, a sua frequência e o que é consultado/partilhado. Alerte o seu filho(a) para os perigos das redes sociais e, acima de tudo, assegure-se de que as pessoas com quem contactam não representam perigo.

    4 – Controle o acesso à televisão, Internet e videojogos

Com a permanência em casa poderá aumentar a dependência do uso deste tipo de tecnologias. Procure incluir no horário semanal horas específicas que poderão ser utilizadas para este tipo de atividade. Este horário pode (e deve) variar caso seja fim-de-semana ou semana. Saiba que existem aplicações que permitem contabilizar o tempo gasto nestes aparelhos e poderão ajudá-lo a controlar o seu uso.

    5 – Transmita tranquilidade e segurança

Devido à presente situação é normal que a criança ou adolescente se possa sentir mais ansioso(a). Procure tranquilizar explicando a situação de uma forma simples e compreensível. Alerte para os cuidados que deve ter, mas nunca assustando ou dramatizando a situação. Quando a criança demonstrar mais ansiedade, elogie-a por expressar o que sente e lembre-lhe de que os seus sentimentos são normais e válidos, assegurando-lhe que poderá levar algum tempo, mas que tudo irá voltar à normalidade.

Natural de Mozelos, Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde (Universidade de Aveiro)
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