Ex-aluna e professora da telescola lembra: “é preciso tirar as dúvidas”

Ex-aluna e professora da telescola deixa conselho: “é preciso tirar as dúvidas” 

Celeste Espírito Santo e os 21 anos de serviço na telescola de Santa Maria da Feira

▌Arrifana, 1981 - Turma de telescola de Celeste Espírito Santo | Foto: DR

A telescola está de regresso e ontem cerca de 850 mil alunos do ensino básico entraram no terceiro período via televisão — Celeste Espírito Santo, antiga professora da telescola, louva a iniciativa, mas avisa que “é preciso tirar as dúvidas”.  

Em Portugal, a telescola teve emissões regulares de 1965 a 1987 e permitiu que milhares de alunos completassem o quinto e sexto anos de escolaridade. Em Santa Maria da Feira, as emissões terminaram no início dos anos 80 e Celeste Espírito Santo, natural de Santa Maria de Lamas, acompanhou uma parte desse trajeto. 

Aos 18 anos quando abraçou aquela que durante quase quatro décadas foi a sua profissão, o que menos desejava era ser professora na telescola. O destino trocou-lhe as voltas e foi precisamente por aí que tudo começou — um trabalho com mais de 20 anos, recordado com muita saudade, que teve início na freguesia que a viu nascer.

 

“Fui aluna e professora na telescola e o meu filho também foi aluno”, refere a professora ao recordar que os primeiros dois anos foram passados em Santa Maria de Lamas onde aos 18 anos enfrentou uma ‘sala cheia’ de alunos, de laços familiares e amizade que dificultaram ainda mais o trabalho. 

“No primeiro ano, em Santa Maria de Lamas, apanhei uma turma com 32 alunos, a maioria repetente, com idades entre os 10 e 16 anos; alguns eram primos diretos, outros vizinhos muito próximos e a adaptação não foi fácil”, mas “depois adorei e penso que é um bom método de ensino”.

Na sua freguesia de berço, o trabalho e a telescola duraram mais um ano. Entretanto, “o Colégio abriu e fui para Arrifana”, diz ao referir que com o encerramento gradual da telescola “percorri algumas terras”.  

Em 32 anos de serviço, 21 foram dedicados à telescola e Celeste Espírito Santo recorda que já nessa altura a “telescola foi muito útil e penso que agora também o será”.

A telescola sempre acompanhou os avanços tecnológicas e a antiga professora recorda a transição entre as aulas em direto e as gravadas em vídeo cassetes.

▌Stª Maria de Lamas, 1976 - Turma de telescola de Celeste Espírito Santo | Foto: DR

“Dei aulas gravadas transmitidas em direto e depois houve uma altura em que tínhamos cassetes de vídeo e, sempre que queríamos, retrocedíamos ou avançávamos a matéria”, refere.

Diferenças entre a telescola de outrora e a de hoje há muitas e a primeira é, sem dúvida, a ausência da sala de aula — “antigamente os alunos estavam na escola e tinham a professora que tirava as dúvidas”, explica, dizendo que os pais deverão  assumir esse trabalho. 

“É natural que surjam dúvidas e alguns alunos vão enfrentar dificuldades, mas os pais que conseguirem, devem auxiliar nesta tarefa, devendo consultar os livros em caso de aflição”. 

▌Hoje a telescola é feita à distancia com a ajuda de novas ferramentas como a internet | Foto: Ventura Santos

Se os alunos vão reter os novos conhecimentos a resposta certa é difícil de dar, mas Celeste Espírito Santo garante que “pelo menos é uma forma de reforçar o conhecimento adquirido — como diz o velho ditado: água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

A ex-professora deixa outro conselho aos pais, “gravem ou puxem atrás”, “procurem que eles estejam atentos e ouçam, porque as noções básicas vão ficar e é um bom método de ensino, uma vez que não podemos estar todos juntos”. 

Veja AQUI os horários da Telescola e como funciona.

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