Oncologia do CHEDV transferida para clínica privada em Stª Maria da Feira

Oncologia do CHEDV transferida para clínica privada em Stª Maria da Feira

Medida aumenta capacidade de resposta à Covid-19

▌Transferencia de doentes oncológicos liberta 25 camas no CHEDV | Foto: A Martinez/Arquivo - PD

O Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga, transfere hoje o hospital-de-dia de oncologia para uma clínica privada localizada em Santa Maria da Feira; o objetivo é  libertar 25 camas e garantir maior segurança — BE questiona os custos desta transferência.

À Lusa Miguel Paiva, presidente do conselho de administração, avançou que esta transferência, segue a norma n.º 9/2020 criada no atual contexto da pandemia Covid-19, que reforça as medidas preventivas para os doentes em tratamentos oncológicos.

De acordo com a legislação estas unidades de saúde devem estar “isoladas daquelas que prestam cuidados assistenciais a doentes não oncológicos para minimizar o risco de infeção cruzada”, refere Miguel Paiva ao explicar que, as mesmas, deverão estar “reorganizadas para permitir uma diminuição do número de vezes que o doente oncológico se desloca” ao hospital”.

Sem mencionar valores, o presidente explica que a transferência será temporária, tratando-se apenas de uma cedência de instalações — o corpo clínico afeto a esta unidade de saúde pertence ao hospital da Feira. 

“O espaço será totalmente autónomo, estando separado da restante atividade do Lenitudes. Não haverá cruzamento de profissionais nem de utentes das duas instituições, pelo que poderemos oferecer aos nossos doentes melhores condições de segurança, uma vez que esses ficarão completamente isolados dos muitos portadores da infeção por SARS-CoV-2 que o CHEDV está a tratar”, refere. 

Quanto à escolha do local — a Clínica Lenitudes — Miguel Paiva destaca dois fatores. O primeiro, a localização do centro privado, a cerca de dois quilómetros de distância do Hospital São Sebastião. O segundo, as condições de isolamento profilático que oferece às sessões de quimioterapia e a outros tratamentos oncológicos indisponíveis nos dois hospitais que compõem a área de intervenção do CHEDV, nomeadamente Oliveira de Azeméis e São João da Madeira.

Aos dois fatores, Miguel Paiva, acrescenta um novo e de ordem técnica — “a existência de uma câmara de fluxo laminar no centro Lenitudes”, que permite preparar os “medicamentos de quimioterapia para os nossos doentes, fazendo-o com total segurança na proximidade do local onde os mesmos serão administrados”.

O presidente justifica a transferência com o número de casos de Covid-19 na região, “que nos obrigou a um enorme esforço de reorganização de toda a infraestrutura hospitalar” e acrescenta que “somos, por exemplo, o quinto hospital do Serviço Nacional de Saúde com maior número de camas de cuidados intensivos e tivemos de preparar o Hospital São Sebastião para tratar doentes em cinco dos seus nove pisos”. 

Os equipamentos e materiais médicos já foram transferidos e a partir de hoje, os cerca de 30 doentes que eram assistidos no São Sebastião, recebem tratamento hospitalar no centro médico privado Lenitudes, localizado nas imediações do Europarque. 

As 25 camas libertadas por esta reestruturação vão reforçar a capacidade de internamento do Hospital S. Sebastião, que com 80 doentes hospitalizados pelo vírus SARS-CoV-2 fica apto para tratar até 120, podendo, em caso de emergência, ‘esticar’ este número até aos 145 internamentos em simultâneo.

BE pede explicações 


Para o BE, a transferência deste serviço para uma clínica privada levanta dúvidas e há que “apurar quem tomou esta decisão e com que fundamentos; se o Ministério tinha conhecimento desta decisão e se concorda com esta transferência de profissionais, materiais e funções do SNS para o privado; quanto custará tal transferência ao SNS e porque razão não se opta por investir no CHEDV em vez de transferir funções para um centro clínico privado?”, expões o deputado Moisés Ferreira ao governo. 

O deputado considera que o Sistema Nacional de Saúde “conseguiu manter a resposta. Agora é tempo de se retomar atividade programada que foi adiada e é tempo de combater a lista de espera que já existia. Para isso necessitará de reforço de meios. Não necessita é que os seus meios sejam transferidos para outras entidades e que o seu orçamento seja desviado para centros médicos privados”.

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