Crónica: Os 30% da Lisboa de Medina e o resto do país
Já levei algumas nas ventas, mas esta doeu mais do que o costume
Francisco Medina é o verdadeiro herói Lisboeta: recentemente na chegada de 144 ventiladores à capital o presidente Lisboeta justificou a divisão da pior maneira
Vamos pôr os pontos nos ii, dos 144 ventiladores que chegaram a Lisboa 78 foram doados e o benemérito “quis que eles ficassem na capital”.
Até aqui nada que admire um nortenho.
Lamentavelmente o presidente da Câmara de Lisboa, Francisco Medina não se agarrou a essa justificação e fugiu-lhe a boca para a verdade: “nos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa residem quase 2,7 milhões de portugueses, cerca de 30% da população nacional” (pode ler aqui).
Francisco Medina com esta frase tão simples, mas tão fracionante :”Lisboa representa 30% da população portuguesa”, esqueceu-se de que quando a Bandeira Nacional hasteia, hasteia para todos – os restantes 70% não são paisagem.
Mas se o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa se vai justificar com os 30%, então lembro-lhe que cá em cima temos uma percentagem maior: 55% dos óbitos por Covid-19 são norte.
São 55% mais de pessoas que têm um funeral despido, austero e solitário. São 55% mais de famílias que não fazem condignamente o luto e que não se despediram dos seus como mereciam.
Para juntar a agressão ao insulto, estes números não impediram que o centro do país se adiantasse nos testes de rastreio a idosos — Gondomar, Porto, Aveiro, Ovar e Santa Maria da Feira pedem a Lisboa, a mesma celeridade e o mesmo equipamento que evidentemente mais falta fazem a norte, mas vem a conta-gotas.
Uma política que faz tanto sentido como um elefante de sapatos de salto alto.
Cá em cima não lideramos em médias de salários, qualidade de vida ou em idas ao restaurante — não nos importa: somos tripeiros, comemos vísceras, não andamos a alface.
O povo do norte é uma simpatia, o povo do norte é guerreiro, o povo do norte é fantástico — tão fantásticos que tempos houveram em que trocamos tripas por carne para defender o nosso país e fizemos disso uma tradição gastronómica.
O que não somos mesmo é burros. E o Sr. Medina não devia confundir paciência com burrice, porque é daí que vem a nossa frontalidade: quando fazem de nós “untermensch” mandamos essa gente para o cesto da gávea.
A hegemonia Lisboeta neste período crítico em que vivemos é demasiado evidente; o Sr. Medina pode ter nascido no Porto, mas tripeiro não é de certeza.
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