Fábrica de C.S. Jorge equipa centros sociais com máscaras de proteção

Fábrica de C.S. Jorge equipa centros sociais com máscaras de proteção 

Inês Silva “Caldas de S. Jorge, enquanto centro nacional da indústria de puericultura tem esse dever”

▌De almofadas a máscaras: duas irmãs reinventam-se para ajudar os outros | Foto: Pedro Silva

 

A empresa é “micro”, mas o coração de quem a gere é gigante: a Babysil em Caldas de S. Jorge alargou a sua produção e à puericultura (artigos para bebé) acrescentou agora máscaras de proteção não hospitalares que já distribuiu gratuitamente por alguns dos centros socais do concelho.

Texto: Ricardo Santos

 

Quem conhece as Caldas de S. Jorge conhece as irmãs Inês e Goretti Silva — juntas lideram a Babysil, uma empresa com quatro décadas de tradição na produção de artigos para bebé.

Como muitos portugueses, as duas irmãs das Caldas, não ficam indiferentes à falta de material de proteção para os profissionais dos centros sociais e nas últimas semanas a microempresa deixou para segundo plano a produção das alcofas, mantas, lençóis, fraldas, cortinados, colchas, almofadas, produzindo agora uma máscara de proteção com assinatura de Santa Maria da Feira.

As máscaras já estão a ser distribuídas por vários centros sociais do concelho, mas como diz Inês Silva “é muito importante referir que não possuem características cirúrgicas”, ou seja, não são certificadas para uso hospitalar. 

 

O grande impulso para a criação deste produto chegou pela voz de três instituições com as quais a empresa já trabalha e a quem já doou dezenas de máscaras: “trabalhamos com alguns centros sociais”, diz Inês Silva ao referir que os pedidos aumentaram e depois do anúncio na sua rede social (que pode seguir AQUI) já receberam apelos de outras instituições.  

Sendo uma empresa familiar constituída por três funcionários apenas não tem “uma capacidade de produção muito grande e em série”, mas Inês Silva salvaguarda que  “caso seja necessário conseguiremos assegurar entre 300 a 400 unidades por dia”.

A escassez de material de proteção certificado e a especulação dos preços, tornam este produto numa alternativa para os profissionais – se for necessário a Babysil poderá avançar para a produção de outros acessórios como por exemplo “fatos de proteção, manguitos, toucas e cobre pés”.

Apesar dos elogios que recebem, Goreti Silva “espera não manter esta produção” e lembra que “estamos perante uma situação de emergência social”, diz ao sublinhar que a continuação e reconversão da produção só será uma realidade se o futuro o justificar. 

Agradecimentos há muitos, sobretudo de quem está a utilizar este material, mas Inês Silva prefere lembrar que o setor industrial também “tem um papel social e Caldas de S. Jorge, enquanto centro nacional da indústria de puericultura, tem esse dever”.

Para já, a certificação das máscaras para uso hospitalar não está em cima da mesa, porque a ideia por detrás do projeto é “confecionar uma peça que ajude na proteção individual: usarmos uma máscara como “usamos um cachecol, um lenço ou uma écharpe”. 

Um cenário asiático que poderá chegar aos países europeus — o uso obrigatório de máscara, embora o que Inês Silva deseja é que a situação de pandemia “seja passageira”.

Máscaras “made in Caldas de S. Jorge”

Embora estas máscaras não possuam características cirúrgicas, (não certificadas para uso hospitalar) as criadoras descrevem este produto como “máscaras com aquilo a que chamamos de tripla proteção.”

Com estilo pregueado e com elásticos auriculares, a máscara é composta por 3 camadas:

• Camada de “tecido não tecido” (TNT), 80gr, no exterior – protecção a salpicos e fluidos corporais; 

• Tela interior; Camada de tecido 100% algodão pelo interior;

• Além disso possui uma pequena peça metálica interna para ajudar a que possa ser moldada à face;

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