Crónica: Locais com História – Convento de Nossa Senhora da Assunção

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Crónica: Locais com História - Convento de Nossa Senhora da Assunção

Já dizia Orlando Ribeiro, “Afigura-se-me que há duas formas de olhar para as rápidas transformações por que o mundo passa. Muitos vêem sobretudo o que muda, outros procuram surpreender o que, a despeito delas, permanece”.

Locais com História pretende-se que seja uma crónica memorativa de monumentos nacionais em desvalorização, dos quais se pode observar atualmente apenas vestígios ou ruínas do edificado original.

De acordo com crónicas da antiguidade, fundado por volta de meados do século IX, o Convento de Nossa Senhora da Assunção em Penafirme, foi construído longe de povoações devido aos ataques muçulmanos à vila de Torres Vedras.

Atualmente é conhecido como Convento de Nossa Senhora da Graça de Penafirme aquando da atribuição do seu domínio à ordem beneditina dos eremitas descalços.

Ao longo dos séculos foi sofrendo diversas modificações, das quais se destaca a fundação de um segundo convento no século XVI, período onde o mosteiro era percecionado pela sua dimensão e composição arquitetónica como um sinal de pobreza eclesiástica, reveladora da humildade que deveria ser mostrada pelos padres à população.

Por volta do século XVIII ocorreu a sua terceira fundação, dinamizada pela Casa dos Távora, uma das mais ilustres casas nobiliárquicas nacionais, tendo sofrido por altura do terramoto de 1755 danos graves que o tornaram inabitável, e consequentemente acabou por ser transferido para uma nova localização e convertido em seminário, ou seja, num estabelecimento onde os jovens que se destinam à carreira eclesiástica recebiam instrução.

Após a extinção das ordens religiosas, acabou por, no decorrer do século XIX, ser vendido em hasta pública e adquirido por um privado que aí estabeleceu uma quinta.

 Atualmente é possível observar vestígios e/ou ruínas deste monumento tanto no seu local inicial como no seu local posterior ao terramoto de 1755.

Deste monumento é possível observar vestígios de um muro circundante que rodeava o património subdividido numa igreja e num convento, do qual ainda se reconhece uma sacristia, um claustro e um conjunto de celas. É possível também registar a presença de um possível canal, responsável pelo transporte de água para o domínio religioso.

No que diz respeito à igreja, seria uma igreja de nave única com cabeceira quadrangular sem transepto, ou seja, apresentava um espaço único entre colunas de formato quadrangular sem ligação entre lados opostos do edifício.

No que diz respeito ao convento, reconhece-se, portanto vestígios de uma sacristia retangular, um claustro, ou pátio interior, envolto de grupos de abóbadas, que seria mais baixo em altura do que a nave da igreja, e um conjunto de celas repartido por dois andares, os quais apresentavam individualmente três compartimentos ou celas individuais, dos quais apenas o compartimento central beneficiava de um conjunto de duas janelas retangulares, enquanto os restantes apresentavam uma janela retangular.

Professor do Ensino Básico e Secundário na Blue School Euro Atlântico e no Colégio Nossa Senhora da Bonança
Diogo Fernandes Sousa
Professor
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