Crónica: Queridos encalhados, dia 14 de fevereiro há uma festa grátis para vocês

Crónica: Queridos encalhados, dia 14 de fevereiro há uma festa grátis para vocês

Está aí o dia S. Valentim e com ele vêm as dores de solteiro

▌Eu, na praia de Esmoriz a apanhar banhos de sol | Foto: Martijn Munneke

Durante muitos anos a minha doce e querida avó dizia-me com sorriso rasgado “se estás solteiro é porque não és grande m*#%$”. 

24 de março de 1989, Alasca — Exxon Valdez encalhava na Enseada do Príncipe Guilherme e com os 40 882 447,267 litros de petróleo que derramou ficou criada a imagem perfeita daquilo que seria a minha vida amorosa — um desastre de proporções épicas.
 

Fernanda de Castro Morteiro, também conhecida por “Nandinha do medronheiro”, já faleceu há 35 anos — a minha avó (conhecida pelas verdades contundentes que dizia sob o efeito do álcool) já previa que eu nunca teria “ninguém que acompanhasse essa besteirada intelectual”, tinha eu apenas 6 anos.

Assim foi — após sete tentativas de exorcismo do Padre Joaquim e uma adolescência marcada por uma maré baixa persistente — cheguei à conclusão de que teria de aceitar a minha condição de diminuído amoroso.

As dores de encalhado são sempre mais fortes durante o mês de fevereiro — somos obrigados a testemunhar uma hipocrisia sentimental que só tem paralelo em tempo de campanhas eleitorais — mas há esperança!

No século XXI os solteiros — sejam eles encalhados de longa ou curta duração — têm mais oportunidades de serem rebocados que nunca: com ferramentas como o Tinder, Grindr ou mensagens espontâneas no Facebook com fotos reveladoras podem dar origem ao avistamento do tão esperado barco rebocador.

Em 2020, e no dia 14 de fevereiro, há no Porto um hotel que vai ceder as suas instalações para ajudar os ‘encalhados‘ — a participação é gratuita e durante três horas, no Dia dos Namorados, estas almas penadas vão escapar aos baixios amorosos através de uma coisa esquisita chamada “speed dating”com um bocadinho de sorte podem ver-me no canto da sala a ser rejeitado de uma forma industrial.

(Deixo em baixo as ligações para o hotel e o email de inscrição)

Caros amigos e amigas, companheiros de viagem, temos apenas três horas para conseguir, das 20h00 às 23h00 — encarem-nas como uma missão militar: ver, chegar e capturar — Boa sorte camaradas.

Pode inscrever-se para a iniciativa do ZeroHotel gratuitamente enviando um mail para AQUI.

O Tomás colabora com o Diário da Feira onde geralmente é-lhe pedido para escrever sobre uma variedade temas que mais ninguém quer escrever (ou saber), sempre com receio de represálias, demonstra-se jornalista cobarde, de qualidade inferior e indigno de representar a classe.
Tomás Santos-Morteiro
Ovelha Negra
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