Opinião: O Caminho da China

Todos os artigos de Opinião são da responsabilidade dos autores e não refletem a linha editorial do Diário da Feira

Opinião: O Caminho da China

Todo o continente asiático, mas com o particular destaque para a China, é uma potência mundial desde o século I, sendo que apenas começou a perder importância mundial no seguimento da Revolução Industrial do século XIX, fator esse responsável pela emergência do continente europeu e dos Estados Unidos da América. 

Nos nossos dias apontam-se previsões para 2050 onde a China vai recuperar a sua posição de líder mundial, sendo acompanhada por outras quatro grandes potências, respetivamente ordenadas segundo importância, em Estados Unidos da América, Índia e Japão.

O modelo que possibilitou a relativamente recente recuperação chinesa consiste exatamente no modelo de emergência utilizado pelo Japão, ou seja, uma forte aposta na ciência e tecnologia, uma teia social baseada na meritocracia, um pragmatismo no momento de tomada de decisão, uma cultura de paz entre democracias, a existência de um estado de direito, um forte investimento na educação e a adoção de uma economia de mercado liberalizada.

Objetivamente o fator da adoção de uma economia de mercado liberalizada possibilitou e contribuiu significativamente para um aumento da produtividade, do bem-estar, da repartição de riqueza e consequente redução da pobreza.

Neste sentido obteve-se um país com uma população próxima dos 1,3 biliões de habitantes, com o maior número de grandes metrópoles mundiais, com a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, com o maior número de turistas a viajar pelo mundo (próximos dos 85 milhões de turistas), e com um incrível sistema de partido único congregador de mais de 80 milhões de militantes.

A economia de mercado alia-se ainda à entrada da China na Organização Mundial do Comércio em 2001, fator importante num mundo global e numa economia baseada em exportações, não obstante possuir agora o desafio de orientar a sua economia também de acordo com o seu mercado interno.

A sua entrada na Organização Mundial de Comércio possibilitou um crescimento substancial, aproximadamente cinco vezes, do Produto Interno Bruto, uma triplicação dos rendimentos médios da população, uma crescente privatização das empresas, uma reestruturação do sistema bancário mundial (procurando criar praticamente um sistema paralelo ao utilizado pelos Estados Unidos da América e a Europa), uma ampliação da base social do partido, uma crescente aposta em investimento militar e uma industrialização maciça (que tornam o país igualmente uma das maiores potências militares mundiais) e um aumento do consumo energético.

Todo este ímpeto comercial tornou-se facilitador de novas opções estratégicas para o desenvolvimento nacional da China, e neste sentido o país tem aumentado progressivamente os seus laços comerciais e investimentos, principalmente com outros países asiáticos, mas também com países europeus, por exemplo a Islândia e, no caso de investimentos, inclusive Portugal.

Em adição, a visão estratégica chinesa voltou-se para o Oceano Ártico e captou uma oportunidade comercial e estratégica, potenciando a criação de uma nova rota marítima denominada de rota polar norte, contornando dessa forma a instabilidade do Médio Oriente e a pirataria no Estreito de Ormuz e no Canal de Suez, igualmente reduzindo os custos do transporte de mercadorias.

Outra opção estratégica do país que fomentou o seu ascendente comercial foi o controlo de recursos naturais, a aquisição de empresas prestigiadas internacionalmente com vista ao controlo de marcas (incluindo portuguesas, como a EDP), criação de uma vasta rede de distribuição e tecnológica, obtenção de experiência internacional, reforço da capacidade militar, com especial foco na vertente naval, e na posse da maior reserva cambial acumulada. 

Concluindo, estamos perante uma potência mundial desde a antiguidade, que passou por um período de maior percalço, mas encontra-se em recuperação com a previsão de ser novamente a maior potência mundial até 2050.

 
Professor do Ensino Básico e Secundário na Blue School Euro Atlântico e no Colégio Nossa Senhora da Bonança
Diogo Fernandes Sousa
Professor
    ☕️ Antes de ir embora: