Opinião: Balanço do Colóquio “Saúde em Portugal” promovido pela Iniciativa Liberal de Argoncilhe

Balanço do Colóquio “Saúde em Portugal” promovido pela Iniciativa Liberal de Argoncilhe

A Iniciativa Liberal de Argoncilhe, realizou, no passado dia 7 de dezembro, no auditório da Junta de Freguesia de Argoncilhe, entidade à qual quero desde já agradecer a cedência do espaço, a sua primeira Iniciativa na Vila de Argoncilhe.

Durante cerca de cinco horas, foi discutida e analisada a situação da saúde em Portugal, desde o estado da mesma, desafios e sugestões para uma melhor saúde em Portugal, com a presença de seis oradores que tive o prazer de moderar. Também o público teve oportunidade de interagir com os oradores, enriquecendo o debate.
Várias conclusões foram retiradas desta Iniciativa. Desde logo, foi de consenso generalizado de que a política interfere em demasia na saúde e é responsável, com as suas decisões, para o caos atualmente instalado. Este caos é noticiado e temática nos jornais diários regularmente. 

A saúde está em crise e é tratada de uma forma redutora, pelo que precisamos de verdadeiras políticas para o Século XXI com políticas de autocuidados e Inovação.
Hoje, em Portugal os números de Hospitais Privados já ultrapassam o número de Hospitais do SNS. Curiosamente os custos dos atos médicos no público são superiores ao do privado. 

Devemos ter consciência de que a saúde é para tratar de imediato. As listas de espera são uma verdadeira injustiça. 

Atualmente somos um dos países que mais desperdiça na medicação, onde é necessário ter consciência de que mais do que uma toma diária de cinco medicamentos é um risco. Em média, em Portugal, a partir dos 60 anos temos uma média diária de sete medicamentos per capita. 

As soluções para a saúde devem passar por reformar verdadeiramente a saúde com a descentralização e melhoria da gestão, com racionalização do consumo de medicamentos, obtidos também através de uma melhor prevenção e promoção da saúde, permitindo uma atuação a montante na prevenção, principalmente junto dos maiores consumidores O conceito de Acesso a cuidados de Saúde não é consensual, nem de fácil tratamento.

A esperança de vida em Portugal tem aumentado continuamente desde 2000, chegando aos 81,6 anos, o que está ligeiramente acima da média europeia. Porém, as disparidades por sexo e por estatuto socioeconómico prevalecem, com uma diferença de cerca de seis anos entre os homens e as mulheres e entre os indivíduos com um nível de escolaridade mais alto e mais baixo. As pessoas vivem mais tempo, mas, muitas vezes, com doenças crónicas ou incapacidades. 

Portugal gastou 2,029 EUR per capita nos cuidados de saúde (9% do PIB) em 2017, o que equivale a cerca de menos um terço do que a média da UE (2,884 EUR). Os pagamentos diretos têm aumentado, sendo agora a segunda maior fonte de receita, alcançando 27,5% da despesa total com a saúde. 

Os Portugueses com habilitações de nível superior vivem mais 3 a 6 anos do que os com um baixo nível de instrução e atribuem uma classificação mais baixa ao seu estado de saúde do que a maioria dos outros cidadãos da EU. 

A maioria dos anos de vida suplementares são vividos com incapacidade.

O Estado gasta quase metade do seu orçamento para a saúde em cuidados ambulatórios onde os cuidados primários são assegurados por uma mescla de prestadores públicos e privados. 

Curiosamente, o número de camas de hospital tem vindo a diminuir, mas o tempo médio de internamento é relativamente alto.

As barreiras ao acesso mantêm-se grandes, existindo disparidades entre os escalões de rendimentos e onde somos um país em que cuidar da Saúde é uma iniciativa do cidadão comum.

Temos um excesso de acesso às urgências do Hospital, em que 70 em cada 100 portugueses, recorrem a este serviço em primeira linha. Basicamente temos um serviço de urgências que não se preparou para o envelhecimento da população.

Precisamos, com urgência, de descomplicar a saúde. Hoje temos uma grande desmotivação de equipas e falta de team building entre elas. 

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) tem extensas competências, mas ineficazmente aplicadas. Quando se debate com casos e situações graves, passa o assunto para as Ordens (médicos e/ou enfermeiros). A legislação tem muitas lacunas e muita burocracia, com manuais pouco claros. Em suma, deveríamos ter menos ralação, melhor regulação, menos “fiscalixação” e uma melhor fiscalização. 

A saúde está doente, com os médicos a saírem do serviço nacional de saúde pelo congelamento de carreias, limite colocado para poderem tratar os seus doentes, limitando até aquilo que é necessário prescrever para tratar o seu doente. Esta desmotivação e situações conduzem também a que os jovens médicos emigrem, essencialmente por falta de condições de trabalho e progressão de carreira.

Assistimos a profissionais de saúde a trabalharem sem recursos e a saírem para o privado. 

Temos uma saúde com burocracia a mais e saúde a menos. No final é o doente que sofre.

Algo é muito claro hoje em Portugal, se o Estado português está a investir menos e
conseguimos mais, tal deve-se aos profissionais de saúde e à sua dedicação, sem esquecer dos portugueses que do seu bolso investem cada vez mais na sua saúde. 

Os profissionais de saúde que possuímos sentem-se angustiados por não poder trabalhar e dar tudo o que podem e sabem. 

É claro e consensual que falta imensa literacia na saúde na nossa população. Onde está a educação para a saúde? A prevenção deve começar por cada um de nós, fomentando a nossa base de alimentação mediterrânea e uma educação clara para a saúde, desde muito cedo nas escolas. Definir uma disciplina de educação para a saúde desde muito cedo é um ponto chave para a construção de uma sociedade com uma saúde mais saudável. 

A Iniciativa Liberal de Argoncilhe, mostrou-se extremamente satisfeita com este primeiro evento, realizado em Argoncilhe e sobre uma temática que a todos preocupa.

Estamos focados em realizar mais atividades que tragam a discussão sobre problemas e foquem-se em soluções para as pessoas. Basicamente o foco será fazer política de pessoas para pessoas, apresentando sempre soluções. É hoje fator de distanciamento dos cidadãos para os políticos, o facto de estes falarem de problemas, sem os discutir e analisarem a sua origem. Nós queremos encarar a política de outro modo. Analisar os problemas, focar na razão de eles terem acontecido e de existirem e buscar soluções válidas para a sua resolução. 

Fechamos a noite com o nosso primeiro Jantar Liberal de Natal, onde aproveitamos para fazer um balanço deste primeiro evento, que partilhamos convosco.

Política Liberal de pessoas para pessoas.

Diretor de Compras, Licenciado em Línguas e Secretariado e Mestre em Logística. Membro da Iniciativa Liberal
Paulo Vieira | Iniciativa Liberal
Diretor de Compras