BE fala em 150 despedimentos, Molaflex responde: “é falso”

BE fala em 150 despedimentos, Molaflex responde: “é falso”

Bloco de Esquerda alega má-fé, empresa refere falta de matéria-prima 

▌Bloco acusou empresa de despedir 150 funcionários | Foto: DR

A empresa Molaflex, sediada em Santa Maria da Feira, suspendeu de 20 de março a 19 de abril a sua atividade — o BE acusa a empresa de 150 despedimentos, fonte próxima da administração expõe um cenário diferente. 

Texto: Tania Silva

Em comunicado, o Bloco de Esquerda afirma ter conhecimento de que a empresa Molaflex Colchões, sediada em Santa Maria da Feira despediu 150 trabalhadores, alguns dos quais “trabalhavam nesta empresa há acerca de 7/8 anos, mas em empresas de trabalho temporário”.

O BE considera que a confirmar-se a situação estamos perante “uma clara violação da legislação existente”, uma vez que “eram todos postos de trabalho permanente”, diz, referindo que “os 150 trabalhadores que foram despedidos eram de empresas de trabalho temporário”.

A mesma nota considera que a “empresa está a utilizar como argumentação a falta de matéria-prima para laborar”, situação que aponta como “uma clara” manifestação de “má-fé por parte da empresa” que “ao longo dos últimos anos” usufruiu de “uma série de apoios da União Europeia, do estado Português e da autarquia”.

Ao Diário da Feira fonte próxima dos trabalhadores confirmou os despedimentos, referindo que alguns “cerca de quatro ou cinco”, aceitaram integrar os quadros da empresa outros perante as condições oferecidas optaram pelo despedimento. 

A mesma fonte confirmou que os despedimentos abrangem apenas trabalhadores vinculados a empresas de trabalho temporário.

Ao Diário da Feira fonte próxima da administração da Molaflex sublinhou que a empresa tentou articular com os funcionários uma forma de suspender os trabalhos sem recorrer às medidas de proteção previstas para a atual situação económica, mas a falta de consenso entre os trabalhadores levou a administração a acionar os planos de emergência previstos pelo governo.

Assim, a mesma fonte revela que o despedimento anunciado hoje pelo Bloco de Esquerda “é falso” e nenhum trabalhador afeto à Molaflex foi despedido. No entanto, a adesão ao sistema de ‘lay-off simplificado’ anunciado pelo governo não abrange os colaboradores contratados através das empresas de trabalho temporário.

Em comunicado, o Bloco de Esquerda acusa a Molaflex de “obrigar todos os trabalhadores da empresa a irem de férias, mas os trabalhadores recusaram”, fonte próxima da administração revela que a proposta esteve em cima da mesa como uma solução e não como obrigação.

“Em reunião com os trabalhadores, foi sugerido um período de férias”, medida que, de acordo com a mesma fonte, a maioria dos colaboradores estava disposta a aceitar porque “evitava a entrada da empresa em regime lay-off simplificado e permitia a manutenção de todos os contratos de trabalho, até com as empresas de trabalho temporário”. 

Perante o desagrado de alguns funcionários com a proposta, a Molaflex decidiu acionar as medidas previstas na lei.

Quanto às acusações de má-fé e aproveitamento da atual situação levantadas pelo Bloco de Esquerda, a mesma fonte refere que os trabalhadores presenciaram as dificuldades de fornecimento de matérias-primas imprescindíveis ao fabrico, nomeadamente de espumas por parte de uma empresa de Ovar — informação confirmada ao DF por fonte próxima dos trabalhadores.

Às dificuldades em obter matéria-prima, fonte próxima da empresa acrescenta ainda o absentismo provocado pela quarentena geográfica decretada no concelho de Ovar, “área onde residem muitos dos nossos trabalhadores” e o encerramento dos seus principais clientes que deixaram de laborar, atendendo ao contexto de estado de emergência decretado no dia 18 de março de 2020.

Quanto aos trabalhadores temporários que a empresa mantém com mais de sete ou oito anos de casa, o Diário da Feira apurou que entre os 150 trabalhadores serão cerca de meia dúzia — informação que não foi confirmada pela empresa.   

Ao Diário da Feira a Randstad, uma das empresas responsável pelos cerca de 150 trabalhadores, explicou que “a atual situação de pandemia levou à diminuição da produção das empresas e consequentemente à redução dos trabalhadores temporários” — impacto que a empresa confirma “está a ser sentido em todo o sector, algo que preocupa a associação de empresas de trabalho temporário (APESPERH) e a Randstad”.

Apesar das dificuldades, a Randstad sublinhou ao DF que “tudo vamos fazer para garantir que nas medidas económicas e sociais de resposta a esta medida conseguimos também garantir medidas de proteção ao trabalhador temporário e às empresas” — o objetivo, como refere a empresa é estar “preparada para a retoma e para que as famílias não sejam ainda mais penalizadas com o desemprego”.

Terminou, frisando que “hoje mais do que nunca o nosso objetivo é (re)colocar pessoas a trabalhar, acompanhando os nossos clientes em todas as suas necessidades de gestão de pessoas”. 

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