Crónica: #Fique em casa

#Fique em casa

O Povo é quem mais ordena

Vivemos, hoje um momento caótico da nossa história. Diria uma guerra contra um inimigo invisível (Covid-19), determinado a ceifar a vida ao Homem.

Fomos encurralados, e desprevenidos deixamos morrer milhares de irmãos numa luta desigual. Somos assim tão capazes? Somos assim tão poderosos?

Tanto se fala na origem, do autor e de quem despoletou esta guerra. Sinceramente isso é tudo aquilo que menos importa no tempo que corre em contra-mão à procura de uma solução que nos faça ombrear e neutralizar este predador inimigo.

O assunto é sério, é muito grave, e qualquer outro tipo de pensamento é apenas uma tentativa de auto engano.

O caos está instalado e esta é uma verdadeira etapa de resistência, inteligência, interajuda, determinação e união.

Exige-se um olhar sério para este problema que é de todos e é meu também. Pensar que estou abrigado porque na minha casa não chove é tão desconcertante como aqueles que se veem inundados.

Urge união! As nossas vidas estão suspensas e hoje mais do que nunca “descemos” todos à terra. O rico e o pobre, o preto e o branco, o gordo e o magro, o senhor doutor ou carpinteiro coexistem todos no mesmo planeta e temem todos pelo mesmo: a própria vida!

É um facto. A nossa vida está em causa! Se isso por si só não fosse suficiente pensemos naqueles que amamos: nos nossos irmãos; nos nossos filhos; nos nossos pais; nos nossos cônjuges;

É por isso importante seguirmos todos as mesmas instruções de combate e abandonarmos a ideia de que na minha ilha não há perigo.

Não pense só em si!

Não ache que é só um cafezito!

Não creia no jogo. O jogo pressupõe dois pólos: a sorte e o azar! E se lhe vira o azar?!

Esta luta obrigou-nos a parar, a olhar para “dentro”. Obrigou-nos a ver aquilo que talvez nunca vimos ou nunca quisemos ver. Os prazeres da vida assentes em conceitos abstractos, aqueles que sabemos que existem, mas não nos habituamos a saborear.

Quantas horas sobram agora para uma boa conversa com a pessoa com quem partilhamos a nossa vida, quantas horas sobram agora para brincarmos com os nossos filhos, quantas horas sobram agora para lermos um livro ou ouvirmos aquele disco que tanto gostamos. Quantas horas sobram agora para ligarmos àquele amigo com quem não falamos faz tempo…

Talvez a dinâmica e o ritmo que sempre assumimos nos tenha impedido de olhar para dentro. Equilibremos agora a balança.

Estou certo que quanto mais nos valorizamos mais altruístas seremos.

Está nas mãos de cada um. O povo é quem mais ordena!

Fique em casa.

Natural de Santa Maria de Lamas, Licenciado e Mestre em Psicologia Social e das Organizações pela Univ. Lusófona de Lisboa. Gestor, escritor, formador e desportista. Apaixonado pela sua terra e com orgulho na sua identidade é voz ativa na comunidade local.

Manuel Pinto
Gestor

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