Opinião: Aprendizagens com a pandemia ou onde está a banca?

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Opinião: Aprendizagens com a pandemia ou onde está a banca?

Relativamente à pandemia que agora se tenta travar, parece evidente que a contenção é a única alternativa até se desenvolver uma vacina ou o corpo humano desenvolver anticorpos. 

Porém, esta pandemia tem mostrado muitas fragilidades em diversas instituições e até na atual estrutura da economia mundial. Veja-se as instituições europeias, que uma vez mais, têm protocolos muito completos, mas que na realidade funcionam apenas na teoria. A título de exemplo, temos o caso italiano (o mais grave na UE) onde o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (lançado a 27 de fevereiro) falhou completamente. Até ao momento, a Comissão Europeia limitou-se a lançar normativas e conselhos, enquanto isso, até à data, a República Popular da China tem prestado auxílio com o envio de médicos, equipamentos médicos e plasma de doentes curados. 

A União Europeia teve tempo para se preparar, mas como esta não tem sido desenvolvida para servir os europeus, apenas para servir alguma da economia europeia, falhou totalmente.

No caso nacional, a maioria parece estar motivada e mobilizada para a minimização deste problema. Parece que há algo que nos pode unir enquanto povo além do futebol. 

Todavia, não quero com isto dizer que todos se têm esforçado da mesma forma ou que as medidas tomadas têm sido adequadas e atempadas. Mas também me parece que este não é o momento para criticar publicamente essas medidas.

 

No entanto, no meio de toda esta nova realidade e solidariedade há um setor que, pelo silêncio, tem-me levado a algumas reflexões. Esse setor é a banca.

Então o país passou mais de uma década a sustentar e a pagar as dívidas da banca, geradas por devaneios, incompetências, compadrios e ganância dos seus gestores e agora que a banca tem a oportunidade se se retratar e contribuir para que a recessão que aí vem seja minimizada não se vislumbra reação.

Não nos podemos esquecer que se o Serviço Nacional de Saúde está fragilizado, isso deve-se, em grande medida, à crise que a banca originou. Durante mais de uma década o dinheiro que deveria estar a ser investido no SNS, na Ciência, na Educação foi desviado para “tapar” os buracos sem fim da banca. Banca esta que nos últimos anos tem tido lucros de milhões (muito à custa das taxas e taxinhas que cobra, nomeadamente às contas salário) e que continua a beneficiar da simpatia de grande parte do setor político e da justiça. 

Todos sabemos que a seguir a uma crise vem o crescimento, todavia espera-se que para os momentos de crise existam mecanismos para a minimizar e que no mínimo quem a originou seja responsabilizado. Porém, essa não é a tradição em Portugal. 

No caso concreto que estamos a viver, contrariamente ao que tem acontecido noutros países, a banca de cá continua no cinismo e na expetativa de com esta recessão capturar mais uns milhões para os seus cofres. Cofres que ao que tudo indica têm mecanismos para dissolver o dinheiro e o fazer desaparecer.

Parece-me que outra, talvez a maior, aprendizagem que temos de tirar desta pandemia é que as instituições devem existir para servir as pessoas e não para servir interesses menores. 

Haja vontade para se avançar.

Professor e Investigador, eleito na Assembleia Municipal pela CDU e membro da Direção Regional de Aveiro do PCP
Filipe Moreira
Professor / Investigador

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