Opinião: A inclusão da Medicina Dentária no SNS

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Opinião: A inclusão da Medicina Dentária no SNS

Em média em Portugal são formados por ano mais de 500 médicos dentista, sendo que a Ordem dos Médicos Dentista conta com 12 259 inscritos. Contudo, e de acordo com dados obtidos pelo Observatório da OMD (Ordem dos Médicos Dentistas) referente aos números da Ordem em 2018/2019, estes não têm muitas opções em relação a oferta de trabalho, ou emigram (aproximadamente 2356) ou então trabalham para o setor privado (aproximadamente 9385), sendo que ainda assim 847 não chegam a exercer.

Assim, podemos constatar que a medicina dentária continua a ser uma área da saúde excluída do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque apesar de só recentemente ter sido disponibilizada pelo SNS, a sua presença no dia-a-dia dos portugueses continua escassa. Esta falta de presença prende-se, essencialmente com a forma como o estado gere o nosso Portugal.

Apesar de ser não ser do conhecimento geral, a cavidade oral é a base da pirâmide para a saúde em geral, já que uma desvigorosa saúde oral pode ser a precursora de um enfarte ou até mesmo do desenvolvimento de problemas cerebrais.

A emancipação dos cuidados de Saúde Oral no SNS foi sempre muito escassa, inicialmente porque não havia abundância de profissionais depois passou a ser uma escolha política , talvez o governo finde que é uma especialidade cara onde são fundamentais recursos financeiros para equipar os espaços, porém, é lastimável que se encontrem equipamentos primários que nunca tenham sido beneficiados pelos cuidados de saúde.

Para minimizar as lacunas na saúde oral, em 2005 o Governo passou a dar alguma prioridade a um problema com vigorosa expressão desenvolvendo assim o PNPSO (Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral), contudo, em 2017 o governo volta a inovar dispondo de médicos dentistas nos centros de saúde   dando aos utentes mais desfavorecidos ou crónicos cuidados dentários básicos como a destartarização, endodontias, extrações, restaurações chegando assim a toda a população pelo serviço público, sendo que é disto que estes precisam pois estes são os tratamentos mais procurados.

O estado tem de intervir nesta área de forma a gerar carreira para os Médicos Dentista, se as carreiras públicas são outorgadas pelo Governo então, a inclusão desta especialidade envolve opções que são questionáveis, pois ou estamos perante mais uma área da profissão médica ou então de uma escolha de usufruir de uma carreira autónoma, epilogamos então que estamos perante uma questão política e não financeira.

Rui Nogueira, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar afirma que a integração dos Médicos Dentistas nos Centros de Saúde devia ser “prioridade máxima” mencionando duas formas de o fazer:  primeiro é ter Médicos Dentistas nos quadros dos Centros de Saúde e em segundo é formar acordos com os consultórios dando uma resposta mais rápida, no entanto, para o presidente da OMD a prioridade são os Médicos Dentistas nos hospitais públicos e a criação de um seguro estatal para a Saúde Oral que funcione como a ADSE .

Concluo que o SNS está a tornar-se num sistema para pobres, sendo vítimas de uma desigualdade social causada pela existência de um sistema para ricos. É fundamental que haja uma reforma estrutural do SNS de forma a garantir bons resultados na Saúde Oral reduzindo assim a sobrelotação no setor privado e levando naturalmente a diminuição da emigração. O SNS caminha para uma degradação onde para além de afetar os que mais sofrem afeta também os profissionais de saúde conduzindo à desmotivação.

24 anos natural de Lourosa. Mestre em Medicina Dentária pelo IUCS atualmente desempenha funções como médica dentista no Centro hospital de Vila Nova de gaia/espinho. Presidente do Gabinete de Formação e Conteúdo da JSD da Concelhia de Santa Maria da Feira
Francisca Ferreira
Médica Dentista
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